O Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (19) um aumento na taxa básica de juros (Selic) para 14,25%, atingindo o maior patamar desde 2015 e 2016, durante o governo Dilma Rousseff. A decisão foi tomada de forma unânime pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e representa um aumento de 1 ponto percentual em relação à taxa anterior, que estava em 13,25%.
Essa é a primeira vez em quase seis anos que a Selic ultrapassa a marca de 14%. A última vez que isso aconteceu foi em julho de 2015, quando a taxa atingiu 14,25% e permaneceu nesse patamar até outubro de 2016. Desde então, a Selic vinha caindo gradualmente, chegando a um mínimo histórico de 2% em agosto de 2020, como medida para enfrentar os impactos econômicos da pandemia de Covid-19.
Mas, com a retomada da economia e o aumento da inflação nos últimos meses, o Banco Central decidiu elevar a taxa básica de juros. A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumula uma alta de 8,35% nos últimos 12 meses, bem acima do teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 5,25%.
Segundo o Copom, a elevação da Selic é necessária para conter a inflação e garantir a estabilidade da economia. A taxa de juros é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação, já que ela influencia diretamente o custo do crédito e o consumo das famílias. Com juros mais altos, o consumo tende a diminuir, o que pode ajudar a conter a alta dos preços.
Além disso, a decisão do BC também tem como objetivo atrair investidores estrangeiros, que buscam por países com taxas de juros mais altas para aplicar seu dinheiro. Com a Selic em patamares mais elevados, o Brasil se torna mais atrativo para esses investidores, o que pode ajudar a equilibrar a balança comercial e trazer mais dólares para o país.
Apesar do aumento da Selic, o Banco Central reforçou que a política monetária continuará sendo “estimulativa”, ou seja, ainda haverá espaço para novos cortes na taxa de juros caso seja necessário. Essa sinalização é importante para garantir que a retomada da economia não seja prejudicada e que o país continue atraindo investimentos.
É importante ressaltar que a elevação da Selic não deve afetar diretamente os juros cobrados em empréstimos e financiamentos para pessoas físicas. Isso porque os bancos utilizam a Selic como referência, mas também levam em consideração outros fatores, como o risco de inadimplência e a concorrência no mercado. Porém, é possível que haja um aumento nos juros para empresas e investimentos de maior risco.
De qualquer forma, é importante que os consumidores fiquem atentos e façam um planejamento financeiro adequado para lidar com possíveis aumentos nas taxas de juros. Além disso, é fundamental que o governo adote medidas para controlar a inflação e garantir que a elevação da Selic seja temporária, evitando que a população seja prejudicada.
Em resumo, o aumento da taxa básica de juros para 14,25% pelo Banco Central é uma medida necessária para conter a inflação e garantir a estabilidade econômica do país. Apesar de representar um aumento significativo em relação aos últimos anos, é importante lembrar que a Selic já esteve em patamares ainda mais elevados no passado. Além disso, a política monetária continuará sendo estimulativa




