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Trump diz que falas ‘inflamatórias’ de Zelensky sobre a Crimeia dificultam trégua e ‘só prolongarão o campo da morte’

A recente declaração do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sobre a anexação da Crimeia pela Rússia trouxe à tona uma questão importante: por que a Ucrânia não lutou pela Crimeia há onze anos atrás, quando ela foi entregue à Rússia sem qualquer resistência? Essa pergunta pode parecer simples, mas a resposta é muito mais complexa do que se imagina.

Antes de tudo, é preciso entender o contexto histórico da anexação da Crimeia. Em 1954, o líder soviético Nikita Khrushchev transferiu a península da Crimeia da Rússia para a Ucrânia, que na época fazia parte da União Soviética. Essa mudança foi feita sem consultar a população da Crimeia, que é majoritariamente russa. Com o colapso da União Soviética em 1991, a Crimeia continuou sendo parte da Ucrânia, mas a questão da soberania sobre a península nunca foi resolvida.

Em 2004, a Ucrânia passou por uma Revolução Laranja, que resultou na eleição de Viktor Yushchenko como presidente. Yushchenko era pró-Ocidente e defendia a integração do país à União Europeia e à OTAN. No entanto, em 2008, a Rússia invadiu e anexou a região separatista da Ossétia do Sul, na Geórgia. Isso gerou preocupações na Ucrânia, que tem uma grande população de origem russa e uma base naval russa na Crimeia.

Foi nesse contexto que, em 2009, a Ucrânia e a Rússia assinaram um acordo de arrendamento da base naval russa na Crimeia até 2042. Esse acordo foi amplamente criticado por políticos ucranianos e pela população, que viam a presença russa na península como uma ameaça à soberania do país. No entanto, o então presidente Viktor Yanukovych, que tinha uma postura pró-Rússia, manteve o acordo em vigor.

Em 2014, a Ucrânia passou por outra revolução, conhecida como Euromaidan, que resultou na destituição de Yanukovych e na eleição de Petro Poroshenko como presidente. A Rússia, que via a Ucrânia se aproximando cada vez mais do Ocidente, aproveitou a instabilidade política no país e anexou a Crimeia em março daquele ano. A anexação foi condenada pela comunidade internacional e levou a uma série de sanções econômicas contra a Rússia.

Agora, voltando à pergunta feita pelo presidente Biden: por que a Ucrânia não lutou pela Crimeia onze anos atrás? A resposta é simples: não havia uma situação política e social favorável para isso. A Ucrânia estava dividida entre aqueles que queriam se aproximar do Ocidente e aqueles que defendiam uma postura mais pró-Rússia. Além disso, a presença da base naval russa na Crimeia e a forte influência do Kremlin no país tornavam qualquer ação militar ucraniana na península uma possibilidade remota.

É importante ressaltar que a Ucrânia não desistiu da Crimeia sem lutar. A destituição de Yanukovych e a eleição de um presidente pró-Ocidente mostraram que a maioria da população ucraniana queria se afastar da influência russa. Além disso, o país tem enfrentado uma guerra no leste do país desde 2014, onde separatistas pró-Rússia e tropas russas apoiadas pelo Kremlin lutam contra as forças ucranianas.

O presidente Biden também afirmou que a Rússia é a única responsável pela situação

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