O Banco Espírito Santo (BES) foi um dos maiores bancos portugueses, com uma longa história de sucesso e solidez no mercado financeiro. No entanto, em 2014, o banco foi alvo de uma grave crise financeira que abalou não só a instituição, mas também todo o setor bancário português. Uma das principais causas dessa crise foi o financiamento do BES ao Banco Espírito Santo Angola (BESA), através de linhas do Mercado Monetário Internacional (MMI), entre o final de 2007 e o verão de 2014.
O BESA era uma subsidiária do BES em Angola, que tinha como principal atividade a concessão de crédito a empresas e particulares. Através dessas linhas de financiamento do MMI, o BES injetou milhares de milhões de euros no BESA, com o objetivo de expandir suas atividades no mercado angolano e aumentar seus lucros. No entanto, essa estratégia acabou por se tornar um grande problema para o BES.
A partir de 2012, começaram a surgir rumores de que o BESA estava enfrentando sérias dificuldades financeiras, com um grande número de empréstimos em incumprimento. Esses rumores foram confirmados em 2014, quando o Banco Nacional de Angola (BNA) assumiu o controle do BESA e iniciou uma investigação sobre suas contas. Foi então que se descobriu que o BESA tinha uma dívida de cerca de 5,7 mil milhões de euros para com o BES, o que representava mais de metade do capital do banco português.
Essa dívida do BESA com o BES foi um dos principais fatores que levaram à crise financeira do BES em 2014. Com a exposição a um risco tão elevado, o BES viu sua credibilidade e solvabilidade serem postas em causa pelos investidores e agências de rating. Isso resultou numa fuga massiva de depósitos e numa queda acentuada do valor das ações do banco. O BES acabou por ser resgatado pelo Estado português e foi dividido em duas entidades: o Novo Banco e o Banco Espírito Santo de Investimento (BESI).
Apesar de todos os problemas enfrentados pelo BES, é importante ressaltar que os empréstimos concedidos ao BESA através das linhas do MMI eram legais e estavam de acordo com as normas do Banco de Portugal e do Banco Central Europeu. No entanto, a falta de transparência e de controlo adequado por parte do BES em relação às atividades do BESA foi um erro grave que acabou por ter consequências desastrosas.
Após a crise de 2014, o Novo Banco assumiu a responsabilidade de recuperar a dívida do BESA com o BES. Para isso, foram tomadas medidas como a venda de ativos do BESA, a renegociação de empréstimos e a recuperação de créditos em incumprimento. Essas ações têm tido resultados positivos, com o Novo Banco a recuperar uma parte significativa da dívida do BESA e a melhorar sua situação financeira.
Além disso, o Novo Banco tem trabalhado para fortalecer sua governança e aumentar a transparência em suas atividades. O banco também tem implementado medidas de controlo de risco mais rigorosas, de forma a evitar situações semelhantes no futuro. Essas ações têm sido reconhecidas pelos investidores e pelas agências de rating, que têm melhorado a sua avaliação em relação ao Novo Banco.
Apesar dos desafios enfrentados pelo BES e pelo Novo Banco, é importante destacar que o sistema bancário português tem mostrado resiliência e capacidade de recuperação. O Novo Banco tem conseguido cumpr
