Pela primeira vez, cientistas da Nasa foram capazes de observar diretamente a ação do Sol na destruição da atmosfera marciana, revelando pistas valiosas sobre o passado e futuro do Planeta Vermelho. Essa descoberta foi possível graças ao uso do Instrumento de Imagens Ultravioleta da sonda Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN), que está orbitando Marte desde 2014.
Em um estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters, os pesquisadores descrevem como o vento solar, composto por partículas com alta energia emitidas pelo Sol, tem sido responsável pela perda da atmosfera de Marte ao longo do tempo. Os dados coletados pela MAVEN mostram como essas partículas se chocam com a camada mais superior da atmosfera marciana, conhecida como ionosfera, criando uma reação em cadeia que leva à sua destruição.
Os cientistas acreditam que esse processo pode ter sido crucial para o desaparecimento da água em Marte e, consequentemente, para o fim da habitabilidade do planeta. Estudos anteriores já haviam indicado que Marte possuía um oceano em seu passado distante, mas hoje, sua superfície é predominantemente seca e árida. A perda da atmosfera, causada pelo vento solar, é uma das principais razões para esse cenário.
Além disso, a descoberta também traz novas informações sobre a evolução do Sistema Solar e como os planetas interagem com o Sol e os demais corpos celestes. “Essa é a primeira vez que somos capazes de ver diretamente como o Sol interage com a atmosfera de um planeta em tempo real”, disse Justin Deighan, pesquisador do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado e autor principal do estudo.
Os cientistas compararam a influência do vento solar na atmosfera de Marte com o mesmo processo ocorrendo na Terra e em Vênus. Embora o Sol seja a fonte comum de energia, Marte possui uma atmosfera muito mais fina do que a Terra e Vênus, o que a torna mais vulnerável à ação dessas partículas energéticas. Isso também explica por que o Planeta Vermelho perdeu grande parte de sua atmosfera, enquanto a Terra e Vênus ainda possuem uma atmosfera densa e protegida.
Essa descoberta, além de fornecer uma compreensão mais profunda sobre o destino de Marte, também é importante para a exploração futura do planeta. Compreender como a atmosfera é afetada pelo vento solar pode ser fundamental para o desenvolvimento de tecnologias que protejam astronautas e futuras colonizações em Marte.
Além disso, o estudo pode ajudar em pesquisas sobre a habitabilidade de outros planetas fora do Sistema Solar. “Essa pesquisa nos fornece uma visão geral de como o ambiente e a atmosfera de um planeta podem ser afetados pela intensa atividade do Sol. Isso é importante porque muitas das estrelas que estamos descobrindo no Universo parecem ser muito mais ativas do que o nosso Sol, o que nos leva a questionar se esses planetas podem ser habitáveis ou não”, explicou Deighan.
Com essas novas informações, a missão da MAVEN se torna ainda mais relevante para a compreensão do passado e futuro de Marte e para a busca por vida fora da Terra. Atualmente, a sonda está em sua segunda extensão de missão, prevista para terminar em setembro de 2022, e continuará coletando dados e imagens valiosas do Planeta Vermelho.
Em resumo, a descoberta dos cientistas da Nasa sobre o processo de destruição da atmos




