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Do outro lado do espelho

A importância das empresas familiares é indiscutível. Elas são a espinha dorsal de qualquer economia e, em Portugal, não é diferente. No entanto, esse universo é bastante heterogêneo e, ao lado dos grandes campeões, existem empresas familiares que insistem em viver no passado, tornando-se um peso para o país. E não se engane, essas empresas não são pequenas ou microempresas, mas sim, as médias empresas que dominam esse grupo retardatário. Hoje, proponho analisar o outro lado do espelho – caracterizar o estereótipo dessas empresas e avaliar como elas podem se tornar um ativo para o país.

Em primeiro lugar, é importante entendermos o que caracteriza uma empresa familiar. Elas são aquelas em que a propriedade e o controle estão nas mãos de uma ou mais famílias, que geralmente possuem vínculos sanguíneos ou matrimoniais. Essas empresas são passadas de geração em geração e possuem uma gestão bastante peculiar, baseada em valores e tradições familiares. No entanto, essa gestão pode se tornar um problema quando não há uma visão estratégica e profissional, limitando o crescimento e a inovação da empresa.

No contexto português, as empresas familiares representam cerca de 80% das empresas do país, sendo responsáveis por mais de 60% do emprego e 70% do PIB. Ou seja, são um pilar fundamental para a economia portuguesa. No entanto, é preciso destacar que nem todas as empresas familiares são bem-sucedidas. Enquanto algumas se destacam como líderes em seus setores, outras enfrentam dificuldades e acabam por se tornar um peso para o país.

Mas qual é o perfil dessas empresas que se encontram nessa situação? Em geral, elas apresentam uma gestão pouco profissional, com pouca transparência e governança, além de uma resistência à mudança e à adoção de novas tecnologias. Muitas vezes, a sucessão é feita de forma inadequada, sem um plano de transição claro e sem preparar os herdeiros para assumir a gestão da empresa. Isso pode gerar conflitos familiares e impactar negativamente a empresa.

No entanto, é possível transformar essas empresas em um ativo para o país. Para isso, é necessário que a gestão familiar se profissionalize e adote boas práticas de governança corporativa. Isso inclui a definição de uma estratégia clara, a adoção de processos de tomada de decisão mais profissionais e a criação de um conselho de administração independente, que possa trazer novas ideias e perspectivas para a empresa.

Além disso, é importante que a sucessão seja planejada e realizada de forma transparente e profissional. Os herdeiros devem ser preparados e capacitados para assumir a gestão da empresa, e a escolha do sucessor deve ser baseada em critérios técnicos e não apenas em laços familiares. Isso garantirá a continuidade e a sustentabilidade da empresa ao longo do tempo.

Outro ponto fundamental é a adoção de tecnologias e inovação. As empresas familiares que se mantêm presas ao passado e não acompanham as tendências do mercado acabam por ficar para trás e perder competitividade. É preciso estar atento às mudanças e investir em novas tecnologias para se manter relevante no mercado.

Além disso, é importante destacar a importância da profissionalização da gestão. Muitas empresas familiares enfrentam dificuldades por não possuírem uma gestão profissional, que seja capaz de lidar com os desafios do mercado e tomar decisões estratégicas. Contratar profissionais qualificados e delegar responsabilidades é fundamental para o sucesso da empresa.

Em suma, as empresas

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