Retirada parcial de tarifas pelos EUA traz pequeno alívio para setores afetados pelo tarifaço
Após meses de incertezas e tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, a notícia da retirada da tarifa de 10% para 238 produtos trouxe um certo alívio para alguns setores brasileiros. No entanto, esse gesto por parte dos EUA ainda é considerado insuficiente pela maioria das entidades, uma vez que a sobretaxa adicional de 40% imposta no fim de julho pelo governo Donald Trump continua afetando a maior parte dos produtos brasileiros.
Apesar desse pequeno avanço, o Brasil ainda precisa intensificar o diálogo diplomático para buscar a eliminação completa das tarifas extras e restaurar condições de competitividade no mercado norte-americano. A medida, que beneficia diretamente 80 itens vendidos pelo Brasil aos EUA, ainda deixa de fora a maior parte dos produtos afetados pela sobretaxa de 40%, como café, carne bovina, frutas e hortaliças.
Para a indústria brasileira, a retirada da tarifa de 10% é vista como um gesto positivo, mas ainda insuficiente. Segundo análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os 80 itens beneficiados representaram apenas 11% do total de exportações brasileiras aos EUA em 2020. A manutenção da sobretaxa de 40% coloca o Brasil em desvantagem em relação a seus concorrentes, que não enfrentam as mesmas barreiras comerciais. Por isso, é urgente avançar nas negociações e buscar um acordo que restabeleça a competitividade do produto brasileiro.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também avaliou a medida como um avanço limitado. A entidade destacou que produtos importantes da pauta de exportação do estado, como carnes e café, continuam afetados pela sobretaxa de 40%. É necessário que o Brasil busque meios para equiparar as condições de concorrência com outros países no mercado norte-americano.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) foi mais positiva em relação à redução tarifária. Para a entidade, a medida reforça a importância do diálogo técnico entre os dois países e traz mais previsibilidade para o comércio bilateral. A Abiec ressalta a qualidade, regularidade e contribuição para a segurança alimentar mundial da carne brasileira e acredita que a redução tarifária é um passo importante, mas ainda insuficiente.
A taxa de 40% sobre a carne bovina brasileira foi reduzida para 66,4% com a retirada da tarifa global de 10%. Antes do governo de Donald Trump, os Estados Unidos taxavam o produto em 26,4%. Já no setor cafeeiro, o clima é de cautela e aguardo por mais esclarecimentos. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) considera necessária uma análise técnica adicional para entender melhor o alcance da redução tarifária. O Brasil é responsável por metade da produção de café do tipo arábica no mundo e abastece cerca de um terço do mercado norte-americano. No entanto, a concorrência com outros grandes exportadores, como Colômbia e Vietnã, que tiveram suas tarifas zeradas, ainda é um obstáculo que precisa ser superado.
É importante ressaltar que a redução de 10% na tarifa para o café pode ser considerada um avanço, mas é preciso levar em conta que outros países tiveram benefícios maiores, como a redução de 20%. Por isso, é essencial que o

