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Rio sedia 1ª Cúpula Popular do Brics para debater Sul Global

Começou nesta segunda-feira (1º) a 1ª Cúpula Popular do Brics, no Armazém da Utopia, no centro do Rio de Janeiro. O evento tem como objetivo integrar movimentos sociais ao bloco composto por 11 países emergentes e promover a participação da sociedade civil na elaboração de propostas voltadas à cooperação do Sul Global.

Durante o encontro, serão discutidos temas como a cooperação econômica e o multilateralismo, a construção da multipolaridade, a reconfiguração da geopolítica mundial, os desafios da governança global, o papel do Brics e a redução da dependência dos países emergentes ao dólar americano nas transações internacionais e formação de reservas financeiras.

A Cúpula Popular do Brics foi criada em 2014, durante a Cúpula do Brics em Kazan, na Rússia, com o objetivo de promover o diálogo entre atores da sociedade civil e governos dos países do grupo. Segundo a organização, o Conselho Civil Popular do Brics é um marco na consolidação da participação da sociedade organizada nas discussões do bloco e visa dar voz aos movimentos populares, estudantes, professores e ONGs nas pautas estratégicas do agrupamento.

Este é o último grande evento realizado pelo Brics com o Brasil na presidência do bloco, antes da Índia assumir a posição no ano que vem. Em vídeo enviado para a abertura do evento, a ex-presidenta do Brasil e presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, Dilma Rousseff, destacou que a primeira cúpula consagra a participação da sociedade civil organizada na construção da cooperação do Sul Global.

Segundo Dilma, pela primeira vez, os povos dos países do Brics dispõem de um canal permanente de diálogo com os governos e as instâncias decisórias do agrupamento. João Pedro Stedile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Conselho Civil dos Brics no Brasil, ressaltou que a cúpula vai formalizar o conselho civil e definir como ele deve funcionar de forma permanente para entregar um modus operandi para o novo mandato na Índia no ano que vem.

Stedile também destacou a importância da mobilização da sociedade civil para resolver temas como a defesa da natureza e a construção de moradias populares. Além disso, ele enfatizou que a cúpula não se limitará apenas a temas de geopolítica mundial, mas também abordará questões que a sociedade civil pode ajudar a resolver.

Os países membros do bloco são líderes na produção de grãos, carnes, fertilizantes e fibras, respondendo por cerca de 70% da produção agrícola global. Além disso, concentram mais da metade da agricultura familiar do planeta, o que gera aproximadamente 80% do valor da produção global de alimentos. Essa posição estratégica confere ao bloco uma responsabilidade ainda maior na construção de sistemas alimentares sustentáveis e equitativos, pautas que o Conselho Popular do Brics busca integrar nas discussões.

A Cúpula Popular do Brics é uma oportunidade única para a sociedade civil se unir aos governos dos países do bloco e contribuir para a construção de um mundo mais justo e equilibrado. Com a participação ativa da sociedade civil, é possível avançar na cooperação econômica e no fortalecimento da multipolaridade, além de enfrentar os desafios da governança global. O Brasil se despede da presidência do Brics com a certeza de que a participação da sociedade civil é fundamental para o sucesso do bloco e para a construção de um futuro melhor para todos.

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