A 1ª Cúpula Popular do Brics começou nesta segunda-feira (1º) no Armazém da Utopia, no centro do Rio de Janeiro. O evento é uma iniciativa importante para integrar os movimentos sociais ao bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O objetivo é buscar uma maior cooperação entre os países do Sul Global, por meio da participação da sociedade civil na elaboração de propostas.
Durante o encontro serão debatidos diversos temas, como a cooperação econômica e o multilateralismo, a construção de uma multipolaridade mundial, os desafios da governança global e a redução da dependência dos países emergentes em relação ao dólar americano. Além disso, também será discutido o papel do Brics e a formação de reservas financeiras.
A criação do Conselho Civil Popular do Brics em 2014, durante a Cúpula de Kazan, na Rússia, foi um marco importante para promover o diálogo entre atores da sociedade civil e governos dos países do grupo. Segundo a organização, o conselho é uma forma de dar voz aos movimentos populares, estudantes, professores e ONGs nas pautas estratégicas do bloco.
Este é o último grande evento realizado pelo Brics com o Brasil na presidência do bloco, antes da Índia assumir o cargo no ano que vem. Por isso, a 1ª Cúpula Popular é ainda mais significativa, pois consagra a participação da sociedade civil organizada na construção da cooperação do Sul Global.
Em mensagem enviada para a abertura do evento, a ex-presidenta do Brasil e atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, Dilma Rousseff, destacou a importância desse diálogo permanente entre os povos dos países do bloco e seus governos. É a primeira vez que isso acontece e representa um avanço para a construção de uma cooperação mais efetiva.
João Pedro Stedile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Conselho Civil dos Brics no Brasil, ressaltou que a 1ª Cúpula Popular vai formalizar o funcionamento do conselho de forma permanente, para que possa entregar um “modus operandi” para o novo mandato na Índia no próximo ano.
Stedile também enfatizou a importância da mobilização da sociedade civil para a resolução de temas que estão em pauta para a cúpula, como a defesa da natureza e a construção de moradias populares. Além disso, ressaltou que os próprios governos reconhecem a importância desse diálogo com a sociedade civil para resolver questões importantes.
Os países membros do bloco são líderes na produção de grãos, carnes, fertilizantes e fibras, responsáveis por cerca de 70% da produção agrícola global. Além disso, concentram mais da metade da agricultura familiar do planeta e geram cerca de 80% do valor da produção global de alimentos. Isso mostra a posição estratégica do Brics no cenário mundial e a responsabilidade que o bloco tem na construção de sistemas alimentares sustentáveis e equitativos.
A 1ª Cúpula Popular do Brics é uma oportunidade importante para ampliar as discussões e debates sobre temas globais relevantes e buscar soluções conjuntas entre os países do bloco. Isso mostra a força e o potencial dessa cooperação do Sul Global e sua contribuição para um mundo mais justo e multiplicidade de culturas e pensamentos. É um passo importante no fortalecimento do Brics e na construção de um futuro mais próspero para todos.
