A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recentemente se reuniu com empresas aéreas para discutir possíveis alterações nas operações dos aeroportos do Rio de Janeiro, com o objetivo de melhorar a eficiência técnica e operacional. Uma das propostas em análise é o aumento do número de voos no aeroporto Santos Dumont, localizado no centro da capital, o que pode ter um impacto direto no Aeroporto Internacional Tom Jobim, também conhecido como Galeão.
Essa iniciativa tem gerado debates e opiniões divergentes, principalmente por parte do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Ele acredita que permitir mais voos no Santos Dumont, que é operado pela estatal Infraero, prejudicaria o Galeão, localizado na Ilha do Governador, zona norte da cidade, e controlado pelo grupo privado Changi.
Em suas redes sociais, Paes declarou que o Galeão é fundamental para o desenvolvimento do Rio de Janeiro e do Brasil, e que a decisão anterior do governo federal de limitar o movimento no Santos Dumont foi uma política pública que salvou e fortaleceu o Galeão. Ele também ressaltou que nos últimos dois anos, o Galeão alcançou um recorde de 17 milhões de passageiros, um aumento significativo em relação aos 8 milhões registrados anteriormente, e que houve um acréscimo de 2 milhões de turistas internacionais.
No entanto, a Anac, em comunicado à imprensa, afirmou que recebeu com surpresa a postagem feita pelo prefeito nas redes sociais e que repudia qualquer insinuação de atuação “às escuras” ou de existência de “forças ocultas”. A agência também esclareceu que a flexibilização das operações do Santos Dumont vem sendo discutida de forma aberta e transparente desde junho de 2025, e que essa mudança está prevista no processo de repactuação do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão do Galeão, aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e alinhado às decisões do governo federal.
O Ministério de Portos e Aeroportos, ao ser procurado pela imprensa, reforçou que a movimentação da Anac faz parte do processo de relicitação do Galeão, que será realizado por meio de leilão em março de 2026. Segundo o ministério, a eventual ampliação da capacidade de processamento de passageiros no Santos Dumont está prevista para ocorrer de maneira gradual, a partir do último trimestre de 2026, de forma planejada, responsável e alinhada ao interesse público.
A distância entre os dois aeroportos é de cerca de 20 quilômetros, e o Santos Dumont, por estar localizado no centro da cidade, fica mais próximo de regiões turísticas, como a zona sul, que concentra praias e hotéis. Já o Galeão foi concedido à iniciativa privada em 2014, mas em 2022, devido aos efeitos da pandemia de covid-19, que reduziu consideravelmente o número de passageiros, o grupo controlador manifestou formalmente ao governo a intenção de devolver a operação. No ano seguinte, a Changi procurou o governo para renegociar o contrato, e a negociação foi finalizada em 2024, com a aprovação do TCU. A Anac participou da elaboração do acordo.
A repactuação prevê ainda uma venda assistida, que é como um novo leilão, mas realizado de forma direta, sem a necessidade de reestatizar o aeroporto para concedê-lo novamente. A venda assistida do Galeão está marcada para 30 de março de 2026, com um lance mínimo de R$ 932 milhões para obter o direito de explorar o aero
