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CNI: Brasil acessará 36% do comércio global com acordo UE-Mercosul

A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, realizada no último sábado (17), é um marco histórico para a indústria brasileira e para a economia do país. Segundo levantamento apresentado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o acordo vai aumentar significativamente o acesso do Brasil ao mercado de importações mundiais de bens, passando de 8% para 36%. Isso porque a União Europeia, sozinha, é responsável por 28% do comércio global.

Esse acordo é resultado de uma negociação que já se estendia por mais de 25 anos e é considerado o mais moderno e abrangente já firmado pelo Mercosul. Além de promover a redução de tarifas, o tratado também incorpora disciplinas que aumentam a previsibilidade regulatória, reduzem custos e criam um ambiente mais favorável aos investimentos, à inovação e à criação de empregos.

Um dos principais benefícios do acordo é a ampliação do acesso do Brasil ao mercado europeu. Segundo a CNI, mais de 5 mil itens terão impostos zerados na União Europeia assim que o acordo entrar em vigor. Além disso, 82,7% das exportações brasileiras para o bloco serão isentas de tarifas desde o início da vigência do tratado. Já do lado do Mercosul, o Brasil terá um prazo de 10 a 15 anos para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos, garantindo uma transição gradual e previsível.

Esse aumento no acesso ao mercado europeu trará impactos positivos para a economia brasileira. De acordo com a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE, serão criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção. Além disso, o acordo também favorece setores-chave da agroindústria brasileira, como a carne bovina e o arroz, que terão cotas maiores do que as concedidas a outros parceiros comerciais da União Europeia.

Outro aspecto importante do acordo é a cooperação tecnológica entre os dois blocos. Com a exigência de padrões mais sustentáveis e inovadores, o tratado impulsiona oportunidades em tecnologias de descarbonização industrial e bioinsumos para uma agricultura mais resiliente. Isso fortalece a cooperação tecnológica entre o Brasil e a União Europeia, acelerando a transição para uma economia de baixo carbono e aumentando a competitividade do país no mercado europeu.

Além dos benefícios econômicos, o acordo também traz vantagens para a indústria brasileira. Com a abertura do mercado europeu, as empresas brasileiras terão acesso a novas tecnologias, insumos e maquinários, o que contribuirá para a modernização do parque industrial do país. Além disso, a União Europeia é o principal investidor no Brasil, respondendo por 31,6% do estoque de investimento produtivo estrangeiro no país. Com o acordo, espera-se que esse número aumente ainda mais, trazendo mais recursos e tecnologias para a indústria brasileira.

É importante ressaltar que a entrada em vigor do acordo depende da ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais dos países integrantes do Mercosul. No entanto, a expectativa é de que a implementação seja gradual ao longo dos próximos anos, o que dará tempo para que as empresas brasileiras se adaptem às novas regras e exigências.

Em resumo, a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia é uma virada estratégica para a indústria brasileira

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