As recentes liquidações do Banco Master e da gestora de investimentos Reag Investimentos, decretadas pelo Banco Central em novembro de 2025 e quinta-feira (15), respectivamente, revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).
O Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, obteve um crescimento acelerado ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima da média do mercado. No entanto, para manter esse modelo, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real (dinheiro imediatamente disponível para ressarcir os investidores) se deteriorava.
As investigações da Polícia Federal e os relatórios do Banco Central apontam que o colapso do Banco Master não foi apenas financeiro, mas também institucional. A conexão com a gestora Reag Investimentos, a tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB) e a pressão sobre órgãos de controle transformaram o caso em um xadrez complexo, com impacto direto sobre investidores e sobre a credibilidade das instituições.
1. Como funcionava o esquema financeiro
Entre 2023 e 2024, o Banco Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações. O banco emprestava recursos a empresas supostamente laranjas, que aplicavam o dinheiro em fundos da gestora Reag Investimentos. Esses fundos, por sua vez, compravam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados. O Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões. O dinheiro circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários até chegar aos beneficiários finais.
2. Esquema de pirâmide
Para adiar a inadimplência, o Banco Master concedia empréstimos com carência de até cinco anos. Novos CDBs eram usados para pagar investidores antigos, caracterizando um esquema Ponzi (pirâmide financeira). O Banco Master chegou a oferecer CDBs de até 140% da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), nível considerado insustentável. Com as primeiras suspeitas sobre a credibilidade do banco em 2024, a captação secou e o caixa entrou em colapso.
3. Venda de carteira ao BRB
Em busca de liquidez, o Banco Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno. No entanto, a operação existia apenas contabilmente, sem pagamento ou crédito real. O Banco Central analisou os CPFs da carteira e concluiu que as operações não existiam. Mesma carteira foi revendida ao BRB por R$ 12 bilhões após manipulação da taxa de juros. Em setembro, o Banco Central barrou a tentativa de venda de parte do Banco Master ao BRB. A proposta de venda do Banco Master ao BRB, segundo a investigação, buscava fundir balanços e diluir a fraude em um banco público.
4. Intervenção e liquidação
O Banco Central limitou a captação do Banco Master a 100% do CDI, paralisando o crescimento. Desde
