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Colégios pedem mais autonomia e liberdade para escolher os seus professores

A Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) tem sido uma voz ativa na defesa da liberdade de escolha e da qualidade do ensino em Portugal. Recentemente, a associação propôs uma medida que tem gerado bastante discussão: a possibilidade de os estabelecimentos de ensino privado contratarem livremente os seus professores, sem a obrigatoriedade de possuírem um grau de licenciatura pré-Bolonha.

De acordo com a AEEP, esta medida visa dar mais autonomia às escolas privadas na escolha dos seus docentes, permitindo que os diretores pedagógicos possam selecionar aqueles que possuem o perfil mais adequado para lecionar em cada disciplina. Além disso, a associação defende que esta medida poderá trazer mais diversidade e enriquecimento ao corpo docente, uma vez que poderão ser contratados profissionais com diferentes formações e experiências.

Uma das principais justificativas da AEEP para esta proposta é a necessidade de adaptar o sistema de ensino às mudanças trazidas pelo processo de Bolonha. Com a implementação do sistema de ensino superior europeu, muitos licenciados pré-Bolonha ficaram com o seu grau desvalorizado, uma vez que o novo sistema privilegia os mestrados. Dessa forma, a associação acredita que a contratação de profissionais com mestrado pós-Bolonha poderá trazer mais qualidade e atualização ao ensino privado.

Além disso, a AEEP argumenta que a medida também poderá ser benéfica para os próprios professores, uma vez que lhes será dada a oportunidade de lecionar em diferentes áreas, mesmo que não possuam uma licenciatura específica. Isso poderá trazer mais motivação e satisfação profissional, além de possibilitar o desenvolvimento de novas competências.

No entanto, a proposta da AEEP tem gerado controvérsias e críticas por parte de alguns setores da sociedade. Uma das principais preocupações é com a qualidade do ensino, uma vez que a contratação de profissionais sem uma formação específica poderá comprometer a excelência do ensino privado. Além disso, há o receio de que a medida possa gerar uma precarização do trabalho docente, uma vez que os professores poderão ser contratados com salários mais baixos do que aqueles que possuem uma licenciatura.

No entanto, a AEEP garante que a qualidade do ensino não será afetada, uma vez que os diretores pedagógicos serão responsáveis por selecionar os melhores profissionais para cada disciplina. Além disso, a associação defende que a medida não tem como objetivo substituir os licenciados, mas sim complementar o corpo docente com profissionais que possuem uma formação mais atualizada e diversificada.

Outro ponto importante a ser destacado é que a proposta da AEEP não é uma novidade no contexto europeu. Em países como a Alemanha e a França, por exemplo, já é comum a contratação de professores sem uma formação específica para lecionar em determinadas disciplinas. Dessa forma, a associação acredita que a medida poderá aproximar o sistema de ensino português dos padrões europeus.

Em suma, a proposta da AEEP tem gerado um intenso debate sobre a qualidade e a liberdade de escolha no ensino privado em Portugal. A associação defende que a medida poderá trazer mais diversidade e atualização ao corpo docente, além de possibilitar uma maior autonomia às escolas na escolha dos seus professores. No entanto, é importante que haja um diálogo entre todos os envolvidos para que sejam encontradas soluções que garantam a excelência do ensino e a valorização dos profissionais da educação.

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