Em meio a um cenário de incertezas e instabilidades econômicas, o Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a Taxa Selic em 15% ao ano. Apesar do recuo da inflação e do dólar, essa é a quinta reunião consecutiva em que os juros básicos da economia permanecem no maior nível desde 2006. Mas, apesar dessa decisão, o Copom já sinalizou que poderá iniciar a redução dos juros na próxima reunião, em março, caso a inflação continue sob controle e não haja surpresas no cenário econômico.
A manutenção da Taxa Selic em 15% ao ano era esperada pelo mercado financeiro e, de acordo com o Copom, essa medida é necessária para assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. No entanto, o comitê reforça que está atento às condições econômicas e que, se o cenário esperado se confirmar, iniciará a flexibilização da política monetária na próxima reunião.
É importante ressaltar que essa decisão foi tomada com o Copom desfalcado, já que os diretores de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica tiveram seus mandatos expirados no final de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só encaminhará as indicações dos substitutos em fevereiro, quando o Congresso Nacional retornar do recesso.
Desde setembro de 2024, a Taxa Selic começou a ser elevada gradualmente, chegando a 15% ao ano em junho de 2025. E, apesar do aumento dos juros, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano em 4,26%, o menor nível desde 2018. Com esse resultado, o indicador voltou a ficar dentro do teto da meta contínua de inflação, que é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Vale ressaltar que, desde janeiro de 2026, a meta de inflação passou a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Isso significa que, a cada mês, é feita uma verificação se a inflação está dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. E, no último Relatório de Política Monetária divulgado pelo Banco Central, a autoridade monetária diminuiu para 3,5% a previsão do IPCA para 2026, mas essa estimativa será revista devido ao comportamento do dólar e da inflação.
Enquanto isso, as previsões do mercado estão um pouco menos otimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4%, levemente acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 4,05%.
É importante destacar que o aumento da Taxa Selic tem como principal objetivo conter a inflação. Isso acontece porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central aumentou de 1,5% para 1,6% a projeção de crescimento para a economia em 2026. Já o mercado projeta uma expansão um pouco maior, de 1,8% do PIB.
A Taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar
