Os juros médios para as famílias subiram 7 pontos percentuais (pp) em 2025, atingindo 60,1% ao ano em dezembro, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta quinta-feira (29), pelo Banco Central (BC). Este é um cenário preocupante para muitas famílias brasileiras, que já enfrentam dificuldades financeiras e agora enfrentam a possibilidade de ter que pagar ainda mais juros sobre seus empréstimos e financiamentos. No entanto, é importante entendermos o que causou esse aumento nos juros e como podemos lidar com essa situação.
A principal razão para o aumento nos juros é o ciclo de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Ao aumentar a taxa, o BC visa esfriar a demanda e conter a inflação, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, fazendo com que as pessoas consumam menos, e com que os preços subam menos. A taxa básica de juros está no maior nível desde julho de 2006, registrada em 15,25% ao ano.
Mas o que isso significa na prática? Significa que os bancos estão pagando mais caro para captar recursos no mercado e, para compensar esse aumento de custo, eles estão repassando para os consumidores por meio de juros mais altos. Além disso, o spread bancário, que é a diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que eles cobram dos clientes, também aumentou em 2025, chegando a 21,4 pp. Isso é uma margem que cobre custos operacionais, riscos de inadimplência, impostos e outros gastos e resulta, assim, no lucro dos bancos.
Entre as modalidades de crédito, o destaque é para o aumento nos juros do cartão de crédito rotativo, que chegaram a 438% ao ano, mesmo com a limitação de cobrança dos juros, em vigor desde janeiro de 2024. Isso ocorre porque a medida visa reduzir o endividamento, mas não afeta a taxa de juros pactuada no momento da contratação do crédito. Ou seja, apesar de ser uma medida importante para evitar o superendividamento, ainda é necessário tomar cuidado ao usar o cartão de crédito e evitar pagar apenas o mínimo da fatura. O crédito parcelado também teve um aumento significativo, chegando a 189% ao ano.
Outro destaque foi o aumento nos juros do crédito pessoal não consignado, que subiram 13,4 pp, chegando a 116,8% ao ano. Essa é uma modalidade de crédito muito utilizada pelas famílias brasileiras, e é importante estar atento aos juros para não comprometer ainda mais o orçamento.
No caso das operações com empresas, a taxa média de juros também teve um aumento, chegando a 25% ao ano, com destaque para o aumento de 30,6 pp no capital de giro com prazo até 365 dias, que chegou a 50,3% ao ano, e de 24,7 pp no cheque especial, que atingiu 355,7% ao ano. Esses são os juros no crédito livre, ou seja, aqueles em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas.
Já o crédito direcionado, que é destinado principalmente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito, teve uma taxa de 11,2% ao ano para pessoas físicas e de 12,2
