A indústria brasileira de café enfrentou um ano desafiador em 2025, com uma queda de 2,31% no consumo interno em comparação com o ano anterior. As razões para essa redução são diversas, mas principalmente relacionadas aos aumentos constantes dos preços do café nos últimos anos. O fato é que, com a alta dos preços, muitos consumidores acabaram optando por diminuir o consumo da bebida, impactando diretamente o mercado interno brasileiro.
Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o consumo de café no Brasil caiu de 21,9 milhões de sacas de 60 kg em 2024 para 21,4 milhões em 2025. Esse número fica ainda mais impressionante quando comparado ao recorde de 2017, quando chegou a atingir 22 milhões de sacas. No entanto, apesar dessa queda, o Brasil ainda se mantém como o segundo maior consumidor de café no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
A alta nos preços do café nos últimos anos é um reflexo do clima desfavorável e da baixa oferta do produto. A matéria-prima aumentou 201% para a espécie conilon e 212% para a arábica nos últimos cinco anos, enquanto o café no varejo teve um aumento de 116%. Esses números impactaram diretamente no mercado interno brasileiro, resultando em uma queda no consumo da bebida.
Com o aumento dos preços, o faturamento da indústria de café cresceu significativamente em 2025, atingindo o valor de R$ 46,24 bilhões. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento do preço do café nas gôndolas, que teve um aumento de 5,8% para o consumidor. Esse aumento no faturamento é importante para a indústria, mas também pode ser preocupante para o consumidor que busca por preços mais acessíveis.
No entanto, a Associação Brasileira da Indústria de Café acredita que não haverá uma queda significativa no preço do café em 2026. A expectativa é que o mercado fique mais estável, pois a entrada de uma safra boa deve equilibrar a oferta e a demanda. Vale ressaltar que os estoques de café ainda estão baixos em todo o mundo, o que pode impactar nos preços. Diante dessa situação, a Abic está apostando em promoções para atrair o consumidor e manter o consumo em alta.
Mesmo com a queda no consumo interno, o presidente da Abic, Pavel Cardoso, encara o resultado de forma positiva. Ele afirma que “o brasileiro não abre mão do café” e que, mesmo com a redução de 2,31%, o consumo se manteve em um patamar alto. Isso demonstra a resiliência do brasileiro em relação à bebida e como ela faz parte do dia a dia do país.
Além disso, Pavel ressalta que o Brasil tem uma grande oportunidade com a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. O país é o maior produtor de café do mundo e o acordo traz perspectivas positivas para a indústria brasileira. Com a entrada em vigor do acordo, o Brasil terá acesso a um mercado consumidor ainda maior, o que pode impulsionar a produção e o consumo de café no país.
Entre os desafios da indústria brasileira de café para os próximos anos, um dos principais é a redução das tarifas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos ao café solúvel. Apesar de o governo estadunidense ter suspendido a tarifa de 40% sobre o café em grão, o solúvel foi deixado de lado e continua sendo taxado. A expectativa é de que essa medida seja revertida em breve, o que pode impulsionar ainda mais o mercado do café
