Os brasileiros podem ter uma grata surpresa ao descobrir que há dinheiro esquecido no sistema financeiro à espera de ser resgatado. De acordo com dados do Banco Central, em dezembro de 2020, foram sacados R$ 429,18 milhões em valores esquecidos, totalizando um montante de R$ 13,35 bilhões já devolvidos aos clientes bancários. Ainda há R$ 10,27 bilhões disponíveis para saque através do Sistema de Valores a Receber (SVR).
O SVR é um serviço oferecido pelo Banco Central que permite aos cidadãos consultarem se eles próprios, suas empresas ou até mesmo pessoas falecidas possuem dinheiro esquecido em algum banco, consórcio ou outra instituição financeira. É uma forma de garantir que as pessoas tenham acesso a recursos que, muitas vezes, nem sequer sabiam que possuíam.
Para fazer a consulta, basta informar o CPF e a data de nascimento ou o CNPJ e a data de abertura da empresa. O processo é simples e não requer nenhum tipo de login. Caso o resultado seja positivo, o cidadão pode acessar o sistema para verificar o valor a ser recebido, a origem desse valor, a instituição responsável pela devolução e seus dados de contato. É importante ressaltar que, para acessar essas informações, é necessário ter uma conta Gov.br, nos níveis prata ou ouro, e ter a verificação em duas etapas habilitada.
Uma vez que o valor a ser resgatado seja identificado, existem três formas de recebimento: a primeira é entrar em contato diretamente com a instituição responsável pelo valor e solicitar o recebimento; a segunda é fazer a solicitação através do próprio sistema SVR; e a terceira é utilizar a função de solicitação automática de resgate de valores. Com essa ferramenta, o cidadão não precisa ficar consultando o sistema periodicamente ou registrar manualmente a solicitação de cada valor em seu nome.
É importante destacar que, caso haja algum recurso disponível em instituições financeiras, o crédito será feito diretamente na conta do cidadão. A solicitação automática de resgate é exclusiva para pessoas físicas e está disponível apenas para aqueles que possuem chave Pix do tipo CPF. A adesão a esse serviço é opcional.
Os valores esquecidos podem ter diversas origens, como contas-correntes ou poupanças encerradas, cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito, recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados, tarifas cobradas indevidamente, parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente, contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas, contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas, entre outros.
Até o final de dezembro de 2020, 37.064.451 correntistas já haviam resgatado seus valores, sendo 33.246.064 pessoas físicas e 3.818.387 pessoas jurídicas. Ainda há 54.620.452 beneficiários que não sacaram seus recursos, sendo 49.593.605 pessoas físicas e 5.026.847 pessoas jurídicas. A maioria dessas pessoas e empresas têm direito a pequenas quantias, sendo que 64,94% dos beneficiários possuem valores a receber de até R$ 10. Os valores entre R$ 10,01 e R$ 100 correspondem a 23,3% dos correntistas, enquanto as quantias entre R$ 100,01 e R$ 1 mil representam 9,9%. Apenas 1,87% dos beneficiários possuem valores a receber acima de R$ 1 mil.
É importante ressaltar que, diante dessa oportunidade de resgatar dinheiro