A classe dominante brasileira sempre teve uma visão distorcida do Estado, enxergando-o como propriedade sua e não da sociedade como um todo. Essa mentalidade, apontada pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad em seu livro “Capitalismo Superindustrial”, é fruto de um processo histórico que remonta à abolição da escravidão no Brasil.
Segundo Haddad, o movimento republicano, que culminou na proclamação da República em 1889, foi liderado pela classe dominante, que viu na mudança de regime uma oportunidade de manter seu poder e privilégios. Com a queda da monarquia, os fazendeiros receberam o Estado como “indenização” pela perda da mão de obra escrava, consolidando assim sua influência e controle sobre a política nacional.
Essa herança histórica ainda se faz presente nos dias de hoje, e é um dos principais obstáculos para a consolidação de uma democracia plena no Brasil. A resistência da classe dominante em abrir mão de seus privilégios e permitir uma distribuição mais justa de poder e recursos é um dos fatores que contribuem para a fragilidade do sistema democrático no país.
Essa fragilidade fica evidente quando a democracia é questionada e ameaçada, como ocorreu recentemente com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A reação imediata da classe dominante, apoiada pelas Forças Armadas, mostra como a democracia no Brasil é ainda muito vulnerável e pode facilmente ser abalada.
O livro de Haddad, lançado neste sábado, traz à tona uma discussão importante sobre o atual modelo global do capitalismo, que ele chama de “superindustrial”. Nesse modelo, a desigualdade e a competição são cada vez mais intensas, levando a uma acumulação de riqueza nas mãos de poucos em detrimento da maioria da população.
O ministro aponta que essa desigualdade tende a aumentar ainda mais, e que a democracia é um importante mecanismo para mitigar seus efeitos. No entanto, quando deixada à própria sorte, a dinâmica do capitalismo leva a uma desigualdade absoluta, que não é mais uma questão de diferença, mas sim de contradição. E é nesse ponto que a democracia se torna ainda mais importante, como uma forma de contestar e buscar mudanças nesse status quo.
No entanto, a resistência da classe dominante em abrir mão de seus privilégios e a falta de uma consciência coletiva da população em relação à desigualdade são obstáculos para a consolidação de uma democracia plena no Brasil. E é por isso que o livro de Haddad é tão importante, pois traz à tona uma reflexão sobre os processos históricos que moldaram a sociedade brasileira e como eles ainda impactam o país nos dias de hoje.
Um dos temas abordados por Haddad em seu livro é a ascensão da China como potência global e seus desafios para o modelo de capitalismo superindustrial. O ministro aponta que, ao contrário do que ocorreu no Leste Europeu e nas Américas, as revoluções no Oriente foram antissistêmicas e antiimperialistas, e tinham como objetivo a emancipação nacional e não a emancipação humana.
No entanto, apesar de avanços no desenvolvimento das forças produtivas e na mercantilização da terra, do trabalho e da ciência, Haddad aponta que esses processos também revelaram contradições e não atingiram completamente seus objetivos. Isso mostra como a luta por uma sociedade mais justa e igualitária é constante e como a democracia é fundamental para esse processo.
Em resumo, o livro de Haddad é uma importante contribuição para