O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) é um indicador importante para medir o nível de confiança do setor industrial no Brasil. No entanto, infelizmente, em fevereiro de 2026, o índice apresentou uma queda de 0,3 ponto, atingindo o patamar de 48,2 pontos. Isso significa que, mais uma vez, a indústria brasileira completa 14 meses consecutivos abaixo da linha de neutralidade, ou seja, sem confiança.
Essa queda no Icei ocorre logo após o Banco Central definir a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. Esse é um dos principais motivos que coloca o Brasil entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo. E essa situação afeta diretamente a indústria, tanto no acesso ao crédito quanto nas expectativas dos empresários.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ambiente de juros elevados impacta negativamente a atividade industrial de diversas formas. Uma delas é o encarecimento do crédito, tanto para os empresários quanto para os consumidores, o que desacelera a economia como um todo. Além disso, a política monetária restritiva também influencia nas projeções para o futuro, já que os empresários tendem a projetar um enfraquecimento da economia diante de uma política mais apertada. Isso impacta diretamente na projeção de demanda das empresas.
O ICEI é composto por dois subindicadores: o Índice de Condições Atuais e o Índice de Expectativas. Em fevereiro, ambos apresentaram queda. O Índice de Condições Atuais recuou 0,2 ponto, chegando a 43,8 pontos. Isso indica que os industriais avaliam que tanto a economia brasileira quanto seus próprios negócios estão em uma situação pior do que há seis meses. Essa percepção negativa foi impulsionada principalmente pela situação das próprias empresas, apesar de uma leve melhora na avaliação do cenário econômico geral.
Já o Índice de Expectativas sofreu uma queda ainda maior, passando de 50,7 para 50,4 pontos. Apesar de ainda estar acima da linha divisória de 50 pontos, que indica uma perspectiva positiva para os próximos seis meses, houve uma piora na projeção do desempenho das empresas. Isso aconteceu mesmo com uma melhora nas expectativas em relação à economia no mesmo período.
É importante ressaltar que a pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 2026 e ouviu 1.103 empresas, sendo 454 pequenas, 400 médias e 249 grandes indústrias. Esses resultados mostram que ainda há muito a ser feito para fortalecer e impulsionar o setor industrial no Brasil.
Porém, apesar dessa queda no índice de confiança, é importante destacar que a indústria brasileira vem apresentando uma resiliência impressionante, mesmo em meio a um cenário econômico desafiador. De acordo com a própria CNI, o faturamento da indústria ficou estagnado em 2025, o que é um resultado positivo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor. Além disso, a confiança da indústria tem apresentado um leve aumento nos últimos meses, mesmo estando ainda na linha do pessimismo.
Isso mostra que, apesar de todos os desafios, os empresários brasileiros continuam buscando formas de se manterem competitivos e avançar em seus negócios. E a confiança é fundamental nesse processo, pois é ela que impulsiona os investimentos, gera empregos e contribui