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Alfredo Gaspar é escolhido vice de Flávio Bolsonaro

Alfredo Gaspar é escolhido vice de Flávio Bolsonaro
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Alfredo Gaspar é escolhido vice de Flávio Bolsonaro em estratégia política

O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado como candidato a vice na chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A indicação de Alfredo Gaspar para a vice-presidência integra uma estratégia mais ampla da campanha bolsonarista, conforme revelaram integrantes da equipe de campanha. A escolha reforça a narrativa que procura associar o escândalo dos descontos irregulares em benefícios do INSS ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua família.

O papel de Gaspar na CPI do INSS

Alfredo Gaspar atuou como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS na Câmara dos Deputados, posição que o colocou em destaque durante a investigação sobre as fraudes nos benefícios previdenciários. Na condição de relator, ele foi responsável pela elaboração do relatório final que propôs o indiciamento de aproximadamente 200 pessoas envolvidas nas irregularidades.

Entre os indiciados constava Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", filho do presidente petista. Apesar do trabalho desenvolvido por Alfredo Gaspar na CPI, o relatório que fundamentava os indiciamentos foi rejeitado pela Câmara por votação nominal, com resultado de 19 votos contrários a 12 votos favoráveis. A rejeição impediu que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) chegasse a um consenso sobre um texto final oficial.

Estratégia de campanha e a questão do INSS

Lideranças do PL avaliaram internamente que a questão do INSS figura entre os principais pontos de vulnerabilidade da administração Lula, contribuindo para índices elevados de rejeição. Por essa razão, a cúpula da sigla determinou que colocar Alfredo Gaspar na chapa reforçaria a narrativa de que Flávio Bolsonaro se alinha com quem combateu os crimes relacionados às fraudes previdenciárias.

Um integrante da campanha bolsonarista, em declaração sob anonimato, reforçou essa percepção: "Esse vai ser um assunto importante na eleição, e ninguém melhor para tratar desse tema do que o Alfredo [Gaspar]". A escolha reflete cálculos políticos que colocam o escândalo do INSS como elemento central na disputa eleitoral.

Mudança de estratégia em relação ao perfil de vice

Dias antes do anúncio oficial, aliados próximos a Flávio Bolsonaro especulavam nos bastidores que a vice seria ocupada por uma mulher, visando ampliar a penetração da chapa entre eleitoras. Essa abordagem buscava contornar históricos índices de rejeição de Flávio entre o eleitorado feminino. A direção do PL, porém, priorizou a consideração sobre o impacto do tema INSS e optou por Alfredo Gaspar.

Para compensar a mudança de estratégia no tocante ao perfil de gênero, aliados de Flávio afirmam que Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e presidente da estrutura PL Mulher, intensificará sua participação nas atividades de campanha. A percepção na liderança do partido é que o trabalho realizado por Michelle na organização partidária feminina criou uma base sólida de apoio entre mulheres nos estados.

Impacto na disputa pelo Senado em Alagoas

A indicação de Alfredo Gaspar para vice também beneficia politicamente Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados. Lira e Gaspar competiam pela mesma fatia do eleitorado conservador na disputa pelas duas vagas ao Senado no estado alagoano. Com a mudança de Gaspar para a chapa presidencial, ele deixa a corrida estadual, reduzindo a concorrência enfrentada por Lira.

Aliados de Jair Bolsonaro mencionam que, no ano anterior, o ex-presidente teria sinalizado a Arthur Lira que o PL não apresentaria candidato ao Senado em Alagoas, posicionando-se estrategicamente para favorecer a eleição de Lira. A articulação entre as duas legendas reflete alinhamentos políticos entre segmentos da direita brasileira.

Os desdobramentos do caso Lulinha

O cenário político ganhou novo impulso quando o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, na terça-feira (4), a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Lulinha. Em menos de uma semana, três pedidos de investigação da Polícia Federal foram aprovados pelo tribunal superior.

No dia 30 de julho, o ministro André Mendonça autorizou a abertura da primeira investigação para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde. Conforme informações da PF, Fábio Luís teria atuado em benefício de interesses ligados ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, identificado como "Careca do INSS".

No dia subsequente, o mesmo ministro Mendonça autorizou um segundo inquérito investigando se Lulinha favoreceu empresários interessados em fechar negócios com a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) e outros órgãos federais. Nessa investigação, a Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As três investigações tiveram origem em elementos coletados durante a operação "Sem Desconto", que investiga fraudes relativas aos descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões concedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Contudo, a PF ressalva que os novos inquéritos não tratam diretamente das fraudes nos benefícios, mas de possíveis ações de Lulinha em favor de empresários e lobistas junto a órgãos do governo federal.

Posicionamento da defesa de Fábio Luís

A equipe jurídica de Fábio Luís Lula da Silva respondeu ao terceiro inquérito afirmando receber a notícia com serenidade e manifestando confiança na condução do caso pelo ministro Flávio Dino. Os advogados sustentam que utilizarão o processo investigativo para esclarecer aspectos das atividades pessoais e profissionais de Lulinha, reiterando que ele não possui envolvimento com as irregularidades sob investigação.

Simultaneamente, a defesa protesta contra o que denomina vazamentos seletivos e criminosos de informações pertencentes à investigação, argumentando que setores da Polícia Federal estariam sendo utilizados para fins político-eleitorais. Apesar dessa crítica, a defesa reconhece os esforços da direção-geral da corporação para preservar autonomia e independência institucional.

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