Ancine abre processo contra produtora de 'Dark Horse'

Agência Nacional do Cinema inicia ação contra produtora
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) instaurou um processo administrativo contra a produtora Go Up Entertainment em razão de irregularidades relacionadas à Ancine Dark Horse, a cinebiografia que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme comunicado oficial, a abertura do procedimento ocorreu após denúncia que apurou a existência de produção de obra audiovisual estrangeira em solo brasileiro sem notificação prévia à autarquia federal.
De acordo com a normativa vigente, toda produção cinematográfica estrangeira realizada no território nacional deve ser comunicada obrigatoriamente à Ancine. No caso específico do filme "Dark Horse", essa comunicação não aconteceu, configurando assim uma violação dos procedimentos regulamentares que regem o setor audiovisual do país.
Tentativas de contato e abertura de auto de infração
A Ancine esclareceu que empreendeu duas tentativas de estabelecer contato direto com a Go Up Entertainment a fim de obter explicações sobre a situação. Ambas as tentativas resultaram infrutíferas, o que motivou a lavratura formal do auto de infração.
Com a abertura desse procedimento, a produtora responsável pela Ancine Dark Horse possui agora o direito de apresentar sua defesa e interpor recursos administrativos contra a acusação. O prazo para apresentação de contestação segue os protocolos estabelecidos pela legislação aplicável.
Até o fechamento desta reportagem, a Go Up Entertainment não havia retornado os contatos realizados pela imprensa para comentar sobre o processo.
Informações sobre o filme "Dark Horse"
"Dark Horse" é uma produção que retrata a história de vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O projeto conta com elenco internacional e equipe técnica de origem norte-americana, o que explica sua categorização como obra audiovisual estrangeira.
A direção fica a cargo de Cyrus Nowrasteh, cineasta americano com experiência em produções para televisão, como "Depois do atentado", e para cinema, incluindo "O apedrejamento de Soraya M.". Nowrasteh participou previamente de uma coprodução entre Estados Unidos e Brasil ao trabalhar no roteiro de "Jenipapo" (1995) com a diretora Monique Gardenberg.
Jim Caviezel, ator americano de 57 anos, assume o papel principal, interpretando o ex-presidente, que atualmente se encontra em prisão domiciliar acusado de tentativa de golpe de Estado. Caviezel ganhou projeção internacional com sua atuação em "A paixão de Cristo" (2004) e nos últimos anos tem se dedicado a produções de orientação conservadora, destacando-se "Som da liberdade" (2023).
Equipe de produção e roteiro
O roteiro de "Dark Horse" foi desenvolvido por Cyrus Nowrasteh em colaboração com Mark Nowrasteh, tendo como base um argumento elaborado por Mario Frias, ator que também exerceu o cargo de secretário da Cultura durante a gestão Bolsonaro.
O elenco complementar inclui atores como Esai Morales, conhecido por sua participação em "Missão: Impossível - O Acerto Final", Lynn Collins de "The Walking Dead", Camille Guaty no papel de Michelle Bolsonaro e Jeffrey Vincent Parise, reconhecido por "General Hospital".
Data de lançamento e incertezas comerciais
Em publicação realizada no Instagram em 7 de abril, Jim Caviezel anunciou que o filme estrearia em 11 de setembro de 2026, uma sexta-feira. No Brasil, o lançamento de filmes ocorre convencionalmente às quintas-feiras.
Contudo, a revista especializada Deadline publicou em 21 de abril que não existe data de lançamento confirmada para "Dark Horse", contrariando especulações que circulavam nas redes sociais. Segundo a publicação, os cineastas continuam em busca de parceiros para viabilizar financeiramente o projeto.
Financiamento e conexões políticas
Investigações jornalísticas revelaram que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, participou do financiamento de "Dark Horse". As negociações envolveram intermediação do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência da República pelo PL-RJ, que pressionava pela efetivação dos pagamentos.
Vorcaro encontra-se atualmente detido em Brasília, sendo investigado por coordenar um esquema de fraudes financeiras de proporções bilionárias, com estimativas que podem alcançar R$ 12 bilhões conforme apontado pela Polícia Federal.
Essas revelações foram divulgadas em maio pelo portal de jornalismo investigativo Intercept Brasil, que teve acesso a correspondências trocadas entre os envolvidos e a um arquivo de áudio enviado por Flávio Bolsonaro ao banqueiro em setembro de 2025.
Posicionamento da Ancine sobre processo em andamento
A Agência Nacional do Cinema reafirmou seu compromisso institucional com a transparência e a regularidade do setor audiovisual brasileiro. A autarquia informou que os resultados da investigação sobre o filme "Dark Horse" serão divulgados publicamente assim que forem concluídos.
Por tratar-se de processo administrativo em curso, a Ancine declinou de antecipar conclusões sobre o mérito da questão. A instituição ressaltou que, conforme disposições legais, processos de caráter sancionador possuem acesso restrito até sua conclusão.
Caso sejam confirmadas irregularidades na produção da Ancine Dark Horse, a Ancine adotará as medidas previstas na legislação vigente. A agência reiterou seu papel regulador essencial na manutenção da ordem e da conformidade no segmento cinematográfico nacional.
