Diario Público 365 Días

Antenas falsas bloqueiam sinais para roubar dados via SMS

Antenas falsas bloqueiam sinais para roubar dados via SMS
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Antenas falsas bloqueiam sinais para roubar dados via SMS em operações criminosas

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) identificou uma sofisticada operação de criminosos que utilizam antenas falsas para bloquear sinais de operadoras legítimas e disparar mensagens fraudulentas. Essas antenas falsas, conhecidas como ERBs fakes (estações rádio-base ilegais), representam uma ameaça crescente aos usuários de telefonia móvel no Brasil, explorando vulnerabilidades em tecnologias antigas de comunicação.

Apreensões e alcance das antenas falsas

Desde o início de 2025, a Anatel apreendeu 11 antenas falsas, sendo nove localizadas na cidade de São Paulo e duas no Rio de Janeiro. Segundo a superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Teles, há indicações de que equipamentos irregulares similares operam em outras cidades brasileiras. A maioria das antenas falsas foi encontrada em bairros com grande circulação de pessoas, como Pinheiros e Moema, em São Paulo, escolhidos estrategicamente para atingir o maior número possível de vítimas.

Os equipamentos conseguem alcançar uma área de aproximadamente 2 quilômetros de raio e têm capacidade de disparar até 100 mil mensagens fraudulentas diariamente. Essa quantidade massiva de SMS permite que os criminosos enviem múltiplas abordagens falsas para potenciais vítimas, incluindo ofertas de ganhos com apostas, propostas de crédito e confirmações de compras não realizadas.

Investimento e conhecimento técnico necessários

As antenas falsas exigem investimento financeiro substancial e conhecimento técnico especializado. De acordo com Gesiléa Teles, superintendente de Fiscalização da Anatel, esses equipamentos podem custar mais de 100 mil reais cada um. Essa informação sugere que por trás dessas operações estão criminosos organizados, com poder financeiro e recursos técnicos para adquirir, montar e operar essas estações ilegalmente.

A agência relata casos em que foram localizados indivíduos montando essas ERBs fakes, adquirindo componentes no mercado ilegal e estruturando operações clandestinas. Uma investigação conjunta envolveu as polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo, demonstrando a complexidade e o alcance dessas redes criminosas.

Como funcionam as antenas falsas

O mecanismo de operação das antenas falsas envolve três componentes principais: a própria antena, uma caixa preta que atua como transmissor, e um notebook com software específico responsável por disparar as mensagens fraudulentas para usuários na área de cobertura da antena.

Os criminosos conseguem interceptar o sinal das operadoras legítimas e enviar SMS direcionado a quem está dentro do raio de aproximadamente 2 quilômetros da antena falsa. Para isso, exploram uma falha de segurança crítica na antiga rede 2G, que aceita dados de qualquer antena que consiga se comunicar com o dispositivo móvel, sem validar a autenticidade da transmissora.

Vulnerabilidade do 2G e diferenças tecnológicas

De acordo com Daniel Nunes, professor do Instituto Nacional de Telecomunicações, a brecha de segurança reside na falta de autenticação bidirecional no 2G. Enquanto a rede autentica o dispositivo, o telefone celular não realiza autenticação reversa da rede. Nas gerações mais modernas, como 4G e 5G, existe um sistema de autenticação mútua, tornando significativamente mais difícil executar esse tipo de ataque.

Os criminosos exploram essa vulnerabilidade forçando o celular do usuário a "cair" para a rede 2G, mesmo em áreas com boa cobertura de sinais modernos. Ao fazer isso, o aparelho interpreta estar em uma região remota com pouca cobertura, facilitando a aceitação das mensagens fraudulentas como se viessem de fontes legítimas.

Métodos de detecção das ERBs fakes

Após receber denúncias, geralmente de operadoras que notam interferências anormais no sinal, a Anatel envia equipes técnicas especializadas para a região. Os técnicos utilizam analisadores de espectro, equipamentos sofisticados capazes de detectar interferências e anomalias de sinal nas frequências de telefonia móvel.

Esses aparelhos ajudam a direcionar a busca para locais onde a interferência é mais intensa, concentrando os esforços de investigação. Porém, essa etapa pode consumir vários dias, pois as antenas falsas não ficam visíveis em locais públicos. Os criminosos costumam aluguel apartamentos em andares altos de edifícios situados em bairros com grande circulação, permanecendo nesses locais por períodos curtos para evitar detecção.

Penalidades legais e cooperação policial

A operação de antenas falsas é considerada atividade clandestina e criminal. A legislação brasileira prevê detenção de dois a quatro anos para quem opera essas estações ilegalmente. Quando há danos comprovados a terceiros, esse período pode ser aumentado pela metade. Além da privação de liberdade, os infratores estão sujeitos a multas de 10 mil reais.

A Anatel trabalha em conjunto com a Polícia Civil para identificar locais onde as ERBs fakes funcionam e investigar como esses equipamentos chegam ao Brasil. Após a confirmação da antena ilegal, a agência aciona a polícia, que solicita à Justiça autorização para acessar o local onde o equipamento está instalado.

Casos especiais e novas táticas

Em um caso particularmente criativo, criminosos colocaram uma antena falsa dentro de um veículo para disparar mensagens em vias congestionadas de São Paulo, aumentando o alcance e a mobilidade da operação fraudulenta. Essa tática móvel dificulta a detecção e permite que os criminosos se desloquem para diferentes regiões conforme necessário.

Medidas de proteção para usuários

Para se proteger de ataques realizados através de antenas falsas, é fundamental desativar a conectividade 2G nos dispositivos móveis. No Android, essa opção geralmente encontra-se em: Configurações > Conexões > Redes móveis, onde deve-se desativar a opção "Permitir serviço 2G" (os nomes podem variar conforme a marca do aparelho).

Em dispositivos iPhone, o caminho é: Ajustes > Privacidade e Segurança > Modo de Isolamento. Ativar o Modo de Isolamento aumenta a segurança, embora possa limitar o funcionamento de alguns aplicativos. Os usuários devem manter seus sistemas operacionais atualizados para ter acesso aos recursos de segurança mais avançados.

Além das medidas técnicas, é importante não clicar em links enviados via SMS, recusar pedidos de instalação de aplicativos através de mensagens e evitar ligar para números de centrais de atendimento mencionados em SMSs suspeitos. Mensagens que abordam compras não realizadas, empréstimos oferecidos ou confirmações de transações devem ser ignoradas e, se possível, bloqueadas.

Também em Tecnologia

Criptomoedas

Bitcoin (BTC) $65,020 ▲ 0.4%
Ethereum (ETH) $1,921 ▲ 0.46%
BNB $602 ▲ 0.24%
Solana (SOL) $77 ▲ 1.22%

Divisas

EUR/USD1.1535
USD/JPY158.3400