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Brasil critica tarifas americanas em reunião comercial com EUA

Brasil critica tarifas americanas em reunião comercial com EUA
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/14/na-vespera-do-prazo-para-eua-decidir-sobre-novas-taxas-brasil-faz-reuniao-com-americanos-e-diz-que-tarifaco-e-injusto.ghtml

Brasil confronta EUA sobre tarifas comerciais injustas

O governo brasileiro se reuniu com representantes do governo americano para debater as tarifas americanas Brasil que ameaçam penalizar produtos brasileiros. Na quinta reunião entre os países sobre o assunto, realizada nesta terça-feira (14), a delegação brasileira reitrou seu posicionamento de que as sobretaxas são injustas e desprovidas de fundamentação adequada.

O que está sendo investigado pela Seção 301

Os Estados Unidos investigam o Brasil sob a Seção 301, alegando "práticas comerciais desleais". Esta investigação concentra-se em três áreas principais que têm causado tensão nas negociações comerciais entre os países.

Sistema PIX e empresas de cartões de crédito

Uma das principais questões levantadas pelos americanos refere-se ao PIX. Os Estados Unidos argumentam que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro prejudica empresas norte-americanas de cartões de crédito. Esta reivindicação tem se mostrado particularmente sensível nas negociações, com os americanos apresentando-a como "inegociável".

Desmatamento ilegal e exportações agrícolas

Outra frente de investigação aborda o desmatamento ilegal no Brasil. Os americanos apontam uma suposta falta de eficácia na fiscalização que resultaria na exportação de produtos agrícolas questionáveis. O governo brasileiro apresentou dados demonstrando a incongruência dessa alegação, mas segundo diplomatas brasileiros, esses dados foram desconsiderados pelos negociadores americanos sem qualquer contraproposição.

Regulação de big techs no Brasil

As grandes empresas de tecnologia americana também levantaram reivindicações sobre a regulação do setor no Brasil, constituindo outro ponto de tensão nas conversas comerciais entre os dois países.

Impasse nas negociações comerciais

Desde maio, os representantes da Casa Branca adotaram uma postura "inflexível" nas negociações. O Brasil apresentou uma proposta abrangente abordando seis pontos levantados pelo USTR na abertura da investigação comercial, mas não recebeu resposta adequada dos negociadores americanos.

Conforme avaliação de diplomatas brasileiros, a decisão do USTR de recomendar as tarifas americanas Brasil foi fundamentalmente política, não baseada em justificativas comerciais legítimas. A ordem do presidente Lula aos negociadores foi clara: o Brasil não deveria sair da mesa de negociação nem permitir que ideologia contaminasse as conversas.

Relação comercial Brasil-EUA em risco

Os Estados Unidos representam o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Dados do governo brasileiro revelam que dos dez produtos americanos mais vendidos no Brasil, oito entram sem tarifa. A tarifa média aplicada aos principais produtos com origem americana é de apenas 3%, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, que argumentou que o tarifaço americano não faz "sentido" do ponto de vista comercial equilibrado.

Impacto econômico das tarifas propostas

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que 4,2 mil produtos brasileiros vendidos no mercado americano podem ser afetados se as tarifas forem implementadas. Juntos, esses produtos somam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras.

Produtos brasileiros ameaçados

Entre os produtos que podem sofrer impacto com as tarifas americanas Brasil estão ferro gusa, molduras de madeira e álcool etílico. Estes itens representam setores estratégicos da economia brasileira e sua penalização prejudicaria empresas de diversos portes.

Reação do setor privado

A CNI, a Câmara Americana de Comércio (AmCham) e a US Chamber of Commerce enviaram uma carta conjunta aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além de autoridades americanas como Jamieson Greer. O documento solicita que ambos os países insistam nas negociações e evitem a implementação das tarifas prejudiciais ao comércio bilateral.

Prazo final para decisão americana

O prazo para o governo americano anunciar sua decisão final sobre as tarifas e a lista de bens expostos à recomendação termina no dia 15 de julho. A possibilidade de adiamento das tarifas americanas Brasil foi considerada "improvável" pelo governo brasileiro. Mesmo diante dessa perspectiva desalentadora, auxiliares do presidente Lula continuaram no início da manhã desta terça-feira tentando contato com interlocutores de Donald Trump para tentar viabilizar uma nova rodada de negociação.

Posicionamento oficial do Brasil

Em nota oficial, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reiterou que o caráter das tarifas americanas Brasil é injusto, seja a sobretaxa de 25% decorrente da Seção 301 específica para o Brasil, ou a de 12,5% aplicável a outras 59 economias. Segundo a nota, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justifica a aplicação das tarifas recomendadas. O governo brasileiro enfatizou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não constitui o caminho para formular um acordo bilateral mutuamente satisfatório.

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