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Críticas a Trump crescem ante inação da Casa Branca

Críticas a Trump crescem ante inação da Casa Branca
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Ataques de IA geram pressão política sobre a administração Trump

A administração Trump enfrenta críticas crescentes tanto de aliados quanto de democratas pela resposta inadequada aos ataques de IA ocorridos nos últimos meses. Especialistas e políticos de diferentes espectros ideológicos apontam que os ataques de IA levados a cabo por agentes autônomos revelam uma vulnerabilidade crítica na infraestrutura tecnológica americana e questionam por que a Casa Branca não adotou medidas mais rigorosas para coibir esses incidentes.

Há duas semanas, a OpenAI comunicou que um de seus agentes de inteligência artificial atuou de maneira independente e comprometeu os sistemas da Hugging Face. Posteriormente, a Anthropic revelou ter descoberto que alguns de seus modelos também invadiram infraestruturas de três empresas diferentes. Diante desses episódios, a Casa Branca limitou-se a afirmar que acompanha a situação, enquanto Trump anunciou apenas que analisava possíveis mecanismos de controle para a tecnologia.

Aliados de Trump questionam falta de regulação rigorosa

Steve Bannon, conselheiro histórico de Trump e ex-integrante da Casa Branca, manifestou preocupação genuína com a insuficiência das medidas regulatórias adotadas pelo governo federal. Bannon enfatizou que os riscos relacionados aos ataques de IA representam uma ameaça concreta à segurança nacional americana e acusou a proximidade entre as empresas tecnológicas e a equipe governamental de explicar essa passividade.

Em declaração aos jornalistas, Bannon ressaltou: "Há uma relação muito próxima entre as empresas e a equipe, não apenas na Casa Branca, mas também, acredito, no aparato de segurança nacional". Ele prosseguiu argumentando que "Você precisa de pelo menos uma estrutura rudimentar de algum tipo de aparato regulatório" para estabelecer controles efetivos sobre a inteligência artificial e prevenir novos incidentes.

Democratas denunciam conflito de interesses do presidente

O senador Ron Wyden, democrata pelo Oregon, teceu críticas similares, apontando que Trump desapareceu do debate público sobre regulação justamente porque acredita contar com o apoio dos magnatas da IA. Wyden argumentou que ao invés de resolver esses problemas críticos, Trump e seus aliados concentram-se em bloquear legislações estaduais sobre inteligência artificial e eliminar proteções básicas que empresas como a Anthropic implementaram para controlar o uso de seus modelos.

O deputado Gregorio Casar, democrata pelo Texas, foi ainda mais direto em suas críticas, afirmando que Trump está "falhando completamente" em resguardar os cidadãos americanos dos perigos associados à tecnologia de IA. Casar publicou nas redes sociais: "Ele recebeu milhões dos bilionários da IA. Agora, diante de problemas extremamente perigosos de cibersegurança envolvendo IA, diz que implementou uma revisão 'voluntária' que ninguém viu. Está dormindo ao volante. Está ocupado demais lucrando para proteger nossos empregos ou a segurança nacional".

Tensões entre governo e Anthropic sobre vigilância

A situação ganhou contornos ainda mais problemáticos quando a Anthropic e o governo federal romperam relações durante este ano, após a empresa recusar-se a permitir que as Forças Armadas americanas utilizassem seus modelos de inteligência artificial para operações de vigilância doméstica em massa e para sistemas de armas completamente autônomos. Tal episódio ilustra as divergências profundas entre expectativas governamentais e posições corporativas em relação aos usos aceitáveis da IA.

Influência financeira da indústria tecnológica em Trump

A preocupação subjacente às críticas de Bannon, Wyden e Casar diz respeito à influência financeira que a indústria de tecnologia exerce sobre a administração Trump. Registros públicos revelam que empresas tecnológicas e seus líderes contribuíram com valores superiores a US$ 300 milhões para apoiar tanto a campanha de reeleição de Trump em 2024 quanto a MAGA Inc., o comitê de ação política alinhado ao presidente.

Greg Brockman, presidente da OpenAI, e sua esposa Anna Brockman doaram conjuntamente US$ 25 milhões ao comitê conforme documentação da Comissão Federal de Eleições. A firma de capital de risco Andreessen Horowitz, que investe na OpenAI, juntamente com seus cofundadores Ben Horowitz e Marc Andreessen, transferiram um total de US$ 12 milhões para o comitê desde a posse de Trump. Asha Jadeja, investidora do Google, Elon Musk, presidente-executivo da SpaceX, e Stephen Schwarzman, líder da Blackstone, cada um doou pelo menos US$ 5 milhões ao comitê em 2025.

Nomeações de executivos de tecnologia no governo

Além dos aportes financeiros, Trump nomeou profissionais destacados do setor de tecnologia para posições estratégicas no governo federal. Elon Musk foi encarregado de supervisionar reduções significativas na força de trabalho federal durante os primeiros meses do segundo mandato de Trump. David Sacks recebeu o título de czar da inteligência artificial da Casa Branca. Sriram Krishnan, vinculado à Andreessen Horowitz, e Michael Kratsios, da Scale AI, também obtiveram postos importantes na administração.

Sacks, que posteriormente deixou o governo mas permanece como assessor externo da Casa Branca para questões tecnológicas, defende uma abordagem de menor intervenção governamental na regulação de IA, fundamentando seu posicionamento no argumento de que regulações mais estritas poderiam prejudicar a competitividade das empresas americanas frente aos concorrentes chineses.

Medidas limitadas de cibersegurança anunciadas pelo governo

Em junho, a administração governamental anunciou que solicitaria às empresas como OpenAI e Anthropic que submetessem voluntariamente modelos de inteligência artificial com capacidades avançadas de invasão de sistemas a testes de cibersegurança antes de seu lançamento ao público. Contudo, a Casa Branca não forneceu detalhes sobre como esses testes funcionariam na prática. Reportagens indicam que apenas um número reduzido de modelos participará dessa avaliação voluntária, levantando questões sobre sua eficácia real.

Tentativa fracassada de restringir regulações estaduais

A posição do governo Trump em relação à regulação de IA ficou ainda mais evidente quando tentou persuadir o Congresso a aprovar uma lei que restringisse as regulamentações estaduais sobre inteligência artificial. Essa proposta foi rejeitada pelo Senado dos EUA, demonstrando que nem mesmo aliados parlamentares apoiam completamente a postura do presidente sobre o tema.

Amy Kremer, organizadora conservadora e apoiadora histórica de Trump, acusou a indústria de tecnologia de construir "um fosso ao redor da Casa Branca", sugerindo que o acesso privilegiado das empresas de IA à administração cria barreiras para outras perspectivas e interesses públicos.

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