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Datafolha: 70% dos brasileiros apoiam punição de adolescentes infratores como maiores

Datafolha: 70% dos brasileiros apoiam punição de adolescentes infratores como maiores
Fonte: g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral/noticia/2026/07/04/datafolha-defende-punicao-de-menores-como-adultos.ghtml

Pesquisa Datafolha: maioria dos brasileiros favorece punição severa para menores infratores

A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (3) revela que a punição de adolescentes infratores como maiores de idade conquistou apoio de 70% da população brasileira. Este resultado representa um crescimento significativo em relação aos anos anteriores, demonstrando uma tendência de endurecimento nas posições adotadas pela sociedade em relação à criminalidade juvenil.

Evolução da opinião pública sobre punição de menores

O levantamento, que integra o eixo de comportamento da matriz ideológica do instituto de pesquisa, aponta uma escalada progressiva no endurecimento das convicções populares. Comparando com o ano de 2022, quando a adesão a essa postura era de 65%, observa-se um incremento de cinco pontos percentuais em apenas quatro anos.

Simultaneamente, o apoio à reeducação dos menores infratores experimentou uma redução considerável, caindo de 34% em 2022 para apenas 27% na pesquisa atual. Esta diminuição de sete pontos percentuais evidencia o afastamento gradual da população de abordagens mais rehabilitadoras. Além disso, 3% dos entrevistados não conseguiram ou não quiseram responder à questão.

Esclarecimento jurídico sobre atos infracionais

É relevante destacar que, embora a pesquisa Datafolha utilize o termo "crimes" na formulação das perguntas aos eleitores, a legislação brasileira estabelece uma classificação jurídica distinta. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que as condutas ilícitas executadas por indivíduos menores de 18 anos devem ser classificadas legalmente como atos infracionais, e não como crimes propriamente ditos. Esta diferenciação terminológica possui implicações significativas no sistema de justiça juvenil brasileiro.

Metodologia e confiabilidade da pesquisa

O levantamento foi realizado mediante abordagem presencial com 2.004 eleitores maiores de 16 anos, alcançando uma amostra representativa de 139 municípios brasileiros. As entrevistas foram conduzidas nos dias 17 e 18 de junho, período que assegurou a coleta de dados contemporâneos e relevantes. O nível de confiança alcançado foi de 95%, indicador que confere credibilidade robusta aos resultados apresentados. O processo de pesquisa encontra-se registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-09956/2026.

Análise conforme o perfil religioso dos entrevistados

Os dados discriminados por religião revelam padrões significativos nas preferências dos grupos. Entre os evangélicos, 75% defendem que a punição de adolescentes infratores ocorra conforme as regras aplicadas a adultos, enquanto 24% optam pela alternativa da reeducação. Já entre os católicos, o percentual favorável à punição como adulto atinge 72%, com 25% apoiando processos reeducativos.

Esta segmentação religiosa demonstra que, apesar de variações pontuais, ambos os grupos religiosos manifestam preferência semelhante pelo endurecimento das medidas punitivas.

Divisão conforme intenção de voto dos eleitores

A análise segundo a preferência política revela diferenças notáveis entre os segmentos eleitorais. Entre aqueles que indicam apoio a Flávio Bolsonaro, 81% sustentam a posição de punir menores como adultos, enquanto apenas 17% preferem caminhos reeducativos. Este é o maior índice de concordância observado na pesquisa.

Por outro lado, entre eleitores que declararam apoio a Lula, 61% concordam com a punição como adulto, proporção significativamente menor, embora ainda maioritária. Neste grupo, 37% demonstram preferência pela reeducação, cifra que representa o maior apoio a abordagens alternativas identificado na pesquisa Datafolha.

Rejeição à liberação de entorpecentes permanece consolidada

O levantamento também investigou a posição dos brasileiros acerca da proibição de substâncias psicoativas no território nacional. Os resultados demonstram posicionamento praticamente unânime contrário a qualquer processo de descriminalização.

Oitenta e cinco por cento dos entrevistados concorrem com a assertiva que "o uso de drogas deve ser proibido porque toda a sociedade sofre com as consequências". Esta proporção expressiva indica que a população reconhece o impacto coletivo do consumo de entorpecentes. Contrariamente, apenas 13% compartilham da perspectiva alternativa, defendendo que "o uso de drogas não deve ser proibido, porque é o usuário que sofre com as consequências". Os restantes 2% não manifestaram posição definida.

Comparando com o levantamento anterior realizado em 2022, quando os percentuais eram 83% e 15% respectivamente, o Datafolha constata que a variação permanece dentro da margem de erro estatístico. Esta constatação configura uma estabilidade consolidada, mantendo o tema em patamar sólido nas prioridades e convicções da população brasileira.

Perspectivas sobre a criminalidade juvenil no Brasil

Os resultados da pesquisa Datafolha refletem um contexto mais amplo de preocupação social com questões relacionadas à segurança pública e aos atos infracionais cometidos por menores. A tendência crescente de apoio à punição severa sugere que a sociedade brasileira está cada vez mais receptiva a abordagens focadas em responsabilização criminal, afastando-se de perspectivas centradas exclusivamente em processos de reinserção social e reeducação.

Este deslocamento nas preferências populares possui implicações relevantes para o debate público e para as futuras formulações de políticas relacionadas ao sistema de justiça juvenil no país, demonstrando a importância de compreender estas tendências nas convicções coletivas.

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