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Djavan celebra 50 anos com show de sucessos no Rio

Djavan celebra 50 anos com show de sucessos no Rio
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Djavan retorna ao Rio com show histórico dos 50 anos de carreira

O cantor e compositor Djavan apresentou na noite de 1º de agosto a estreia carioca de sua turnê comemorativa dos 50 anos de trajetória artística. O espetáculo intitulado "Djavanear 50 anos – Só sucessos" lotou a Farmasi Arena no Rio de Janeiro, reunindo fãs para vivenciar retrospectiva da obra de um dos maiores nomes da música popular brasileira. A apresentação de Djavan concentrou-se em sucessos que marcaram cinco décadas de criação musical, consolidando o artista como figura eminente da MPB.

Uma carreira que começou em 1975

A trajetória de Djavan iniciou-se formalmente em 1975, quando o compositor apresentou o samba "Fato consumado" em festival promovido pela TV Globo. No ano seguinte, lançou seu primeiro álbum, intitulado "A voz • O violão • A música de Djavan", marcando o ponto de partida de uma obra que se estenderia por décadas. Nascido em Maceió (AL) em janeiro de 1949, Djavan migrou para o Rio de Janeiro em 1972, cidade onde floresceu artisticamente e onde reconheceu suas origens artísticas durante o show.

O show na Farmasi Arena: estrutura e apresentação

A turnê Djavanear ocupou o palco da Farmasi Arena durante aproximadamente duas horas e meia, apresentando quase 30 músicas selecionadas do vasto catálogo do compositor. O espetáculo abriu com "Sina" (1982), regravada com arranjo de sotaque africano, sinalizando a influência angolana que permeia a obra cultivada nas Alagoas e germinada no Rio de Janeiro. A cenografia foi assinada por Gringo Cardia, arquiteto responsável por paisagens visuais geradas pela exposição contínua de grafismos, pinturas, fotografias e telas de artistas em painel de LED.

Banda e formação musical do espetáculo

Djavan dividiu o palco com formação musical composta por Felipe Alves (bateria), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Marcelo Mariano (baixo), Marcelo Martins (sax tenor e flauta), Paulo Calasans (piano e teclados), Rafael Rocha (trombone), Renato Fonseca (teclados) e Torcuato Mariano (guitarra e violão). As vocalistas Clara Carolina e Jenni Rocha acompanharam o artista, ampliando a dimensão sonora da apresentação e enriquecendo arranjos de clássicos revisitados.

Destaques musicais e momentos memoráveis

Entre os destaques da noite figuraram performances de "Eu te devoro" (1998), com ar jovial representativo do pico de popularidade do cantor no fim do século XX, e a improvisação a capella dos versos iniciais de "Delírio dos mortais" (2007), samba composto em exaltação ao Rio de Janeiro. O cantor também resgatou "Boa noite" (1992), tema de batida funkeada, para saudar o público que lotava a arena carioca.

"Cigano" (1989) ganhou tonalidade jazzística, reiterando a força do jazz na formação musical de Djavan, enquanto "Miragem" (1984), "Me leve" (1987) e "Mal de mim" (1989) demonstraram a inserção estratégica de lados B no mosaico de sucessos. O público acompanhou em silêncio respeitoso músicas como "Samurai" (1982) e "Se…" (1992), destacando-se pelos coros certeiros.

Composições autorais e parcerias memoráveis

O compositor manteve roteiro inteiramente autoral com 28 músicas, sendo 25 compostas unicamente por ele, sem colaboradores. A turnê Djavanear incluiu exceções notáveis como "Linha do Equador" (Djavan e Caetano Veloso, 1992), "Lambada de serpente" (Djavan e Cacaso, 1980) e "O vento" (1987), parceria com o poeta Ronaldo Bastos. A performance de "O vento", originalmente gravada pela intérprete Gal Costa no álbum "Lua de mel como o diabo gosta" (1987), foi soprada linda e melancolicamente como encerramento de bloco que incluía "Açaí" (1981) e "Azul" (1982).

Tributo a Gal Costa e David Sanborn

Durante a apresentação, Djavan saudou a memória de Gal Costa (1945 – 2022), descrevendo-a como "a maior intérprete que eu já tive". A cantora gravou 13 músicas do compositor entre 1981 e 2019, deixando legado interpretativo de grande relevância. O artista também celebrou a memória de David Sanborn (1945 – 2024), saxofonista norte-americano influente com quem colaborou há 40 anos na música "Quase de manhã" (1986) para o álbum "Meu lado" (1986). Esta canção, nunca regravada por Djavan nem cantada ao vivo anteriormente, constituiu grande surpresa do roteiro, revisitada em tom jazzístico com o saxofonista Marcelo Martins executando a parte original de Sanborn.

Efeito catártico e encerramento

Apesar do aparato visual e virtuosismo da big band, Djavan provocou efeito catártico no público munido apenas de violão e voz em bloco pavimentado com baladas memoráveis como "Meu bem querer" (1980) e "Oceano" (1989). O medley com sambas "Serrado" (1978), "Fato consumado" (1975) e "Flor de lis" (1976) produziu efeito similar, comprovando a habilidade do compositor para criar músicas de arquitetura sofisticada com paradoxal apelo popular.

O espetáculo encerrou-se com "Lilás" (1984), preparando clima para bis iniciado com a balada "Um amor puro" (1999) e finalizado com reprise de "Sina" em arranjo mais festivo. A turnê Djavanear 50 anos conseguiu fazer a felicidade dos mortais em justificado delírio diante da obra monumental desse gigante inconteste da música popular brasileira.

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