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Empresários pleiteiam expandir relações comerciais entre Brasil e EUA

Empresários pleiteiam expandir relações comerciais entre Brasil e EUA
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/13/empresarios-de-eua-e-brasil-defendem-ampliar-comercio-em-areas-como-data-centers-automoveis-e-minerais.ghtml

Expansão do comércio bilateral em pauta

A expansão do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos ganhou novo impulso com o envio de uma carta pública conjunta de entidades empresariais dos dois países. Confederação Nacional da Indústria (CNI), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e US Chamber of Commerce assinaram o documento endereçado às autoridades governamentais, defendendo oportunidades de crescimento econômico mútuo em diversos setores estratégicos.

O documento representa um posicionamento importante no contexto atual das negociações comerciais entre Brasília e Washington, onde discussões sobre possíveis tarifas ocupam lugar central. A expansão do comércio bilateral surge como alternativa que poderia beneficiar ambas as economias, evitando medidas protecionistas que prejudicariam produtores e consumidores dos dois lados do Atlântico.

Setores prioritários para desenvolvimento

As entidades empresariais identificaram áreas específicas para aprofundamento da cooperação comercial. A segurança energética e data centers figuram entre os mercados que poderiam registrar ampliação de acesso. Esses segmentos representam oportunidades significativas para empresas americanas interessadas em expandir suas operações no mercado brasileiro.

O setor automotivo merece atenção especial nas propostas apresentadas. As organizações defendem aprofundamento da cooperação regulatória nesse ramo, buscando harmonizar normas e facilitar o fluxo de produtos e investimentos. Similarmente, a indústria farmacêutica também consta como área prioritária para intensificação das relações comerciais.

A cooperação em minerais críticos representa outra frente importante da proposta. Esses recursos, essenciais para tecnologias emergentes e transição energética, oferecem potencial significativo para parcerias que beneficiem ambas as nações. Os empresários também propõem aceleração do exame de patentes e apoio a moratória da Organização Mundial do Comércio relacionada a transmissões eletrônicas.

Contexto das negociações tarifárias

A carta foi enviada em contexto delicado das negociações comerciais. Os Estados Unidos concluíram investigação contra o Brasil sob a Seção 301 e propuseram aplicação de tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros destinados ao mercado americano. Estimativas da CNI indicam que tal medida atingiria aproximadamente 4,2 mil produtos brasileiros, representando montante de US$ 15 bilhões em exportações.

O prazo estabelecido para resolução das negociações é 15 de julho, data em que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) deverá finalizar sua decisão. Essa proximidade temporal aumenta a urgência dos esforços diplomáticos e comerciais para encontrar solução que satisfaça ambos os lados.

Apelo pela solução negociada

O comunicado conjunto enfatiza a importância de negociação em detrimento da imposição de tarifas adicionais. "Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros", afirmou trecho da carta.

As entidades argumentam que avanços alcançados através da negociação produzem resultados mais duráveis e evitam efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores de ambos os países. Essa perspectiva ressalta impactos econômicos negativos que tarifas adicionais poderiam gerar além da simples redução de exportações.

Respostas governamentais

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro respondeu ao documento das entidades empresariais. "Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional", manifestou o órgão.

O documento foi endereçado aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além de Marco Rubio (secretário de Estado americano) e Jamieson Greer (representante comercial da Casa Branca). Tal configuração demonstra gravidade que ambos os governos atribuem às negociações em curso.

Impactos econômicos potenciais

Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, alertou sobre consequências adversas das novas tarifas. "A aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial", declarou.

Neto apresentou dados preocupantes sobre tendências comerciais recentes. A participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, representando o menor nível historicamente registrado. As importações brasileiras provenientes dos EUA também recuaram 11% no mesmo período, indicando desaceleração significativa nas relações comerciais bilaterais.

O executivo complementou análise alertando que tarifas adicionais poderiam reduzir ainda mais a presença comercial e influência econômica dos EUA em um dos maiores mercados emergentes globais. Essa redução abriria espaço para que concorrentes estrangeiros ampliassem participação de mercado às custas de empresas americanas, prejudicando interesses comerciais estadunidenses no longo prazo.

Mapeamento de empresas americanas

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que solicitam isenção de tarifas para produtos brasileiros. Essas entidades argumentam não haver substitutos produzidos no mercado doméstico dos EUA para diversos itens brasileiros.

Os pedidos de isenção também alertam que aplicação das tarifas elevaria custos para consumidores americanos e para indústrias dos Estados Unidos que utilizam esses produtos como insumos para fabricação de outros bens. Tal informação foi incluída na resposta oficial enviada pelo governo brasileiro ao USTR.

Fundamentos da investigação comercial

Segundo relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano. Entre os pontos citados constam funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países e falhas no combate ao desmatamento ilegal.

O relatório também menciona barreiras ao etanol americano, problemas relacionados à proteção da propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção como justificativas para a investigação. Apesar das propostas de taxação, os EUA incluíram ampla lista de exceções para produtos estratégicos, entre os quais café, carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos.

Perspectivas futuras

Expectativas indicam realização de reuniões entre equipes brasileiras e americanas antes do dia 15 de julho. Nesta semana, o órgão abriu fase de audiências públicas da investigação, reunindo representantes de associações empresariais brasileiros e americanos dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.

O sentimento geral entre os analistas é que reversão completa das tarifas permanece improvável. Contudo, existe esperança de que o alcance da medida possa ser reavaliado diante dos prejuízos demonstrados à economia americana. A expansão do comércio bilateral surge como proposta viável para transformar esse cenário potencialmente adverso em oportunidade de crescimento compartilhado entre Brasil e Estados Unidos.

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