Diario Público 365 Días

EUA bombardeiam Irã em nova escalada que ameaça cessar-fogo

EUA bombardeiam Irã em nova escalada que ameaça cessar-fogo
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/27/forcas-dos-eua-dizem-ter-atingido-multiplos-alvos-no-ira-em-meio-ao-segundo-dia-de-ataques-que-pressionam-o-cessar-fogo.ghtml

Nova ofensiva americana desafia acordo de trégua

As forças armadas americanas executaram neste sábado (27) uma operação militar contra múltiplos alvos no território iraniano, em uma ação que representa uma grave ameaça ao cessar-fogo estabelecido há pouco mais de uma semana. O ataque EUA Irã marca um ponto de inflexão crítico nas tensões que continuam a desestabilizar a região do Golfo Pérsico, com ambas as nações acusando-se mutuamente de violações ao acordo de cessação de hostilidades.

A operação foi autorizada pelo presidente Donald Trump e anunciada através da rede social X pelos militares norte-americanos, que justificaram a ação afirmando que o Irã tinha "a chance de respeitar o acordo de cessar-fogo", mas "optou por não fazê-lo". Segundo relatos, o bombardeio foi desencadeado após forças iranianas terem atacado um navio comercial próximo ao Estreito de Ormuz no início do dia de sábado.

O tratado assinado dez dias antes previa explicitamente o "encerramento imediato e permanente das operações militares" e comprometia ambas as nações a "absterem-se da ameaça ou do uso da força" uma contra a outra. O descumprimento desse compromisso por qualquer das partes representa uma falha significativa nas negociações diplomáticas que buscavam estabilizar a região.

Trump emite ameaça extrema contra Teerã

Em mensagem publicada na plataforma TruthSocial na noite de sábado, Trump acusou formalmente o Irã de violar os termos do cessar-fogo e emitiu uma ameaça de proporções extraordinárias. O presidente afirmou que "é muito provável que eles nunca aprendam a lição" e alertou que poderia chegar o momento em que os Estados Unidos não pudessem "agir com prudência e fossem obrigados a concluir, por meio da força militar, a missão que iniciamos com tanto sucesso".

De forma ainda mais alarmante, Trump declarou: "Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir". Esta afirmação representa uma escalada retórica sem precedentes no conflito atual e sinaliza uma possível disposição para ações militares ainda mais amplas caso as negociações continuem fracassando.

Ataques iranianos no Golfo Pérsico aumentam tensões

Antes da resposta americana, o Irã havia lançado uma série de ataques que elevaram significativamente as tensões na região. Aviões não-tripulados iranianos foram disparados contra o Bahrein, enquanto um navio também sofreu um ataque no Estreito de Ormuz, em uma possível retaliação aos bombardeios aéreos que os Estados Unidos haviam executado durante a madrugada.

Estes ataques iranianos foram themselves uma resposta a incursões anteriores das forças americanas, que haviam bombardeado alvos iranianos em reação a um ataque com drones contra um navio cargueiro que tentava transitar pelo estreito na quinta-feira. Este ciclo contínuo de escaladas ameaça transformar o conflito em um confronto incontrolável, mesmo com o acordo provisório que ambas as nações assinaram há dias atrás.

O risco de uma nova escalada fora de controle aumenta geometricamente a cada novo incidente, colocando em jogo não apenas a segurança regional, mas também o comércio marítimo internacional e os preços globais de energia.

Bahrein e programa nuclear no centro das preocupações

O governo do Bahrein, que abriga a 5ª Frota da Marinha dos EUA, emitiu um comunicado condenando os ataques iranianos e classificando-os como uma "ameaça flagrante à segurança de cidadãos e residentes". A nação do Golfo expressou profunda preocupação com a continuidade da violência em seu território.

Por sua parte, o Irã divulgou através da agência estatal IRNA que sua Guarda Revolucionária havia atingido alvos relacionados ao "exército terrorista dos EUA na região", sem fornecer detalhes específicos sobre os locais atingidos. O Comando Central dos EUA contraditoriamente afirmou que seus bombardeios da madrugada alcançaram instalações de mísseis, drones e radares costeiros iranianos.

As negociações entre Washington e Teerã incluem questões críticas como o futuro do programa nuclear iraniano, a segurança da navegação no Estreito de Ormuz e o fim dos confrontos no Líbano entre Israel e o grupo Hezbollah, aliado do Irã. O acordo provisório estabelece um prazo de 60 dias para que ambas as nações avancem em uma solução final.

Estreito de Ormuz e rotas comerciais em perigo

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, reforçou a posição americana em redes sociais, afirmando que o Irã deveria "atender o telefone" se houvesse discordâncias sobre o cessar-fogo, adicionando que "a violência será respondida com violência". Esta declaração deixa claro que Washington está preparado para escaladas adicionais.

O Estreito de Ormuz permanece no epicentro da crise, funcionando como a rota estratégica fundamental para o transporte global de petróleo e gás natural. Um petroleiro britânico foi atacado no estreito, embora a tripulação tenha permanecido segura sem danos ambientais registrados. Ninguém reivindicou formalmente a ação, embora haja suspeitas sobre o envolvimento iraniano.

Em resposta às crescentes ameaças, o Centro de Informações Marítimas ligado à Marinha americana anunciou a ampliação de uma rota próxima à costa de Omã para permitir um tráfego mais seguro de entrada e saída de embarcações. O Irã, entretanto, insiste que os navios devem seguir suas regulamentações e já ameaçou cobrar taxas pelo trânsito, posição que Estados Unidos e países do Golfo rejeitam firmemente, defendendo que o estreito constitui uma via internacional.

Operações de resgate e alerta de segurança marítima

O centro marítimo alertou que a ameaça a embarcações na região é "substancial", recomendando uma atenção especial aos riscos de minas navais e à presença de forças militares. A Organização Marítima Internacional suspendeu uma operação crucial de evacuação de navios comerciais, prometendo retomá-la apenas quando garantias adequadas de segurança forem estabelecidas.

Segundo informações da organização, aproximadamente 115 embarcações conseguiram deixar o Estreito de Ormuz durante os últimos dias, evidenciando o impacto imediato da crise sobre o comércio marítimo internacional. A situação permanece altamente volátil, com risco genuíno de transformação em um conflito militar de maior escala caso não haja avanços significativos nas negociações diplomáticas nos próximos dias.

Também em Mundo