Gilmar pede cópia integral de celular de Vorcaro ao STF

Pedido de acesso ao celular de Vorcaro ganha novos desdobramentos
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes solicitou neste domingo (13) que o diretor-geral da Polícia Federal encaminhe uma cópia completa do celular de Daniel Vorcaro confiscado durante a Operação Compliance Zero. O material referente ao celular de Daniel Vorcaro será essencial para embasar o julgamento programado para terça-feira (15), quando integrantes da Corte analisarão relatório sobre comunicações envolvendo o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Mendes, a documentação integral permitirá avaliação completa das mensagens. O ministro reafirmou que tal procedimento não configura qualquer liberação de sigilo dos dados, mantendo-se sob rigoroso regime de restrição com acesso exclusivo ao seu gabinete, seguindo protocolos idênticos aos observados desde 8 de março de 2026.
Esclarecimentos sobre regime de confidencialidade
Gilmar Mendes foi enfático ao destacar que a solicitação refere-se apenas a acesso interno, não a divulgação pública. As informações permanecerão submetidas aos mesmos deveres de sigilo que vinculam o relator e as autoridades policiais. O ministro argumentou que sem a verificação completa da mídia, não seria possível identificar omissões, inconsistências ou contradições no relatório preliminar, nem avaliar a integralidade do material recuperado e o contexto adequado das comunicações.
O aparelho em questão trata-se de um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi detido pela primeira ocasião. O dispositivo permanecia sob posse do gabinete do ministro André Mendonça há mais de seis meses.
Determinação anterior de Cristiano Zanin
Horas antes do pedido de Gilmar Mendes, o ministro Cristiano Zanin estabeleceu prazo para que o diretor-geral da Polícia Federal entregasse cópia integral do celular de Daniel Vorcaro até as 23h do mesmo domingo. Zanin rebateu posicionamento anterior de Mendonça, que argumentava que compartilhar o conteúdo completo prejudicaria o julgamento e comprometeria investigações em andamento.
Mendonça sustentava que todos os ministros já possuíam material suficiente para análise. Todavia, Zanin contrapôs que não existe hierarquia entre os integrantes da Corte e que as provas pertencem ao plenário do STF, não a um ministro isoladamente. O magistrado também informou que a própria PF confirmou capacidade de fornecer cópia sem prejudicar a cadeia de armazenamento de evidências.
Posicionamento dos ministros sobre acesso às informações
Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Zanin vinham exigindo acesso irrestrito ao espelhamento completo do aparelho para contextualização ampla dos fatos anteriormente a qualquer deliberação plenária. Zanin argumentou que todo julgador necessita acesso integral aos dados para formar convicção apropriada, ressaltando que todos os ministros estão submetidos ao dever de sigilo e possuem capacidade de atuar com imparcialidade e independência.
O ministro também ressalvou que a determinação de entrega até as 23h ocorre sem prejuízo de outros gabinetes que possam encaminhar requisições idênticas para obter os mesmos dados colocados à disposição do relator.
Contexto do julgamento agendado
Na quarta-feira anterior (9), Fachin convocou o plenário para discutir na terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal que apontou suposta relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro detido Daniel Vorcaro. Durante a sessão, os ministros analisarão validade do documento preparado conforme solicitação de Mendonça, que recebeu críticas de colegas da Corte acerca de possível investigação de colega sem autorização plenária adequada.
Trata-se de caso inédito no âmbito do STF. A determinação de Fachin de levar para análise plenária o relatório intensificou articulações nos bastidores com apostas sobre votos favoráveis ou contrários à abertura de investigação contra Moraes.
Cenário de votação esperado
Até o momento, seis votos encontram-se mais consolidados. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como alinhados com Moraes. André Mendonça contaria com apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Nos bastidores, persiste incerteza quanto aos votos de Fachin e Cármen Lúcia, que vêm recebendo aproximações de ambos os lados.
Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é não participar, já que o caso representa desdobramento da investigação Master e ele se declarou suspeito para votar em desdobramentos subsequentes desde que deixou a relatoria. Contudo, há quem defenda possibilidade de voto, considerando que discussões envolvem questões processuais referentes ao modelo apropriado para investigação de membro da Corte.
Implicações do conflito institucional
A tensão intensifica-se a apenas dois dias do julgamento. A divergência sobre acesso ao celular de Daniel Vorcaro reflete questões mais amplas sobre transparência, hierarquia e procedimentos dentro da instituição. O desfecho desta controvérsia pode estabelecer precedentes significativos para investigações futuras envolvendo magistrados da Corte Suprema.
