Imposto Seletivo: Governo Mantém Carga Tributária na Transição até 2027

Governo Confirma Implementação do Imposto Seletivo sem Aumento Imediato
O Ministério da Fazenda reafirmou sua posição de manter o imposto seletivo, popularmente conhecido como "imposto do pecado", conforme previsto para início em 2027. Durante entrevista concedida nesta sexta-feira (19), o ministro Dario Durigan esclareceu que não há perspectiva de adiamento na implementação deste novo mecanismo tributário, que visa onerar produtos e atividades prejudiciais à saúde pública e ao meio ambiente.
Segundo o titular da Fazenda, a estratégia governamental para o imposto seletivo concentra-se em manter a carga tributária atual durante um período de transição, evitando aumentos abruptos. Esta abordagem pretende viabilizar um diálogo construtivo com os setores afetados pela nova tributação, permitindo ajustes gradativos antes da implementação definitiva.
Processo de Transição e Diálogo com Setores Atingidos
Durigan detalhou que a intenção é estabelecer um pacto com os segmentos econômicos impactados, preservando a atual carga tributária incidente sobre o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Este processo de transição permitirá um debate mais aprofundado sobre os impactos da nova política fiscal.
"A ideia é que pactue com os setores afetados, mantendo a carga tributária que hoje eles têm no IPI, para que faça a transição, com debate aprimorado na sequência. Proposta tem de ser encaminhada neste ano", afirmou o ministro em declarações ao Jota.
O Ministério da Fazenda já havia comunicado ao G1 que o objetivo futuro é encarecer produtos ou atividades que causam danos à saúde coletiva ou ao meio ambiente, visando reduzir seu consumo através do mecanismo de preço.
Produtos e Setores Abrangidos pelo Imposto Seletivo
O novo imposto do pecado incidirá sobre uma ampla gama de produtos e atividades. A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros como categorias principais. Além destes, o tributo também afetará determinados veículos conforme seu nível de emissão de poluentes, atividades de extração de bens minerais, e segmentos de loterias, apostas e jogos de fantasy sports, modalidade de entretenimento digital onde participantes constituem equipes virtuais com atletas reais que competem baseado no desempenho em competições oficiais.
Aprovação Legislativa e Cronograma Previsto
Para que o imposto seletivo entre efetivamente em vigor, é necessária a aprovação de sua regulamentação pelo Congresso Nacional. Até o presente momento, o governo federal ainda não encaminhou formalmente a proposta legislativa correspondente. O Executivo comprometeu-se a realizar este envio até o encerramento do exercício atual.
Custos Sociais e Econômicos que Justificam a Medida
Os dados apresentados pelo governo demonstram o impacto econômico significativo associado ao consumo de produtos sujeitos ao futuro imposto seletivo. Pesquisa da Fiocruz, referenciada pelo Ministério da Saúde, revelou que em 2019 o consumo de álcool acarretou custos totalizando R$ 18,8 bilhões.
Deste montante, R$ 1,1 bilhão refere-se a despesas federais diretas com internações hospitalares e atendimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto R$ 17,7 bilhões correspondem à perda de produtividade causada por mortalidade prematura, concessão de licenças médicas e aposentadorias antecipadas relacionadas a patologias associadas ao consumo alcoólico, além de ausências laborais por hospitalizações e benefícios previdenciários.
Relativamente ao tabagismo, o Ministério da Saúde quantificou custo indireto anual de R$ 86,3 bilhões, resultando em despesa governamental total anual de R$ 153,5 bilhões, equivalente a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). A arrecadação de tributos federais sobre a comercialização de cigarros alcança apenas R$ 8 bilhões anualmente, evidenciando desproporção entre os gastos em saúde pública e a receita tributária gerada por este produto.
Bebidas Ultraprocessadas e Impacto no SUS
Quanto às bebidas ultraprocessadas, categoria que abrange refrigerantes, bebidas isotônicas e refrescos, estimativas governamentais indicam que o SUS despende aproximadamente R$ 3 bilhões anuais no tratamento de enfermidades associadas ao consumo destes produtos.
Preocupações da Indústria Produtora
Os produtores nacionais expressam preocupações significativas com a implementação do imposto seletivo. Alertam que bebidas alcoólicas já sustentam carga tributária elevada no Brasil, com taxação variando entre 40% e superior a 80% do valor final do produto. Avaliam que incrementos adicionais nos impostos cobrados podem comprimir margens de lucratividade, estimulando reajustes de preços ao consumidor, reduções no quadro de pessoal e fortalecimento de mercados ilegais paralelos.
