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Motta defende Câmara contra suspeita de desvio de emendas

Motta defende Câmara contra suspeita de desvio de emendas
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/14/vamos-defender-aquilo-que-esta-sendo-feito-diz-motta-apos-operacao-mirar-desvio-de-emendas.ghtml

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reafirmou nesta terça-feira (14) o compromisso da instituição com a legalidade na gestão de desvio de emendas, em resposta às investigações que indicam participação irregular de parlamentares sem mandato na destinação de recursos públicos.

Defesa da Câmara contra acusações

Motta declarou que a Casa Legislativa manterá sua posição diante das alegações sobre desvio de emendas parlamentares. Segundo o presidente, a instituição não apenas segue os protocolos legais, mas também demostrará isso dentro dos processos apropriados. "Vamos defender aquilo que está sendo feito. Temos a convicção de que a Câmara está cumprindo a lei acerca da aplicabilidade, da execução das emendas e nós vamos demonstrar isso dentro do processo", afirmou o presidente.

A declaração de Motta representa a primeira manifestação pública após a divulgação, no último domingo (12), da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que bloqueou R$ 6 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha. O ministro também emitiu uma operação contra o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e solicitou esclarecimentos sobre a execução de desvio de emendas das comissões de saúde da Câmara e do Senado.

Investigação aponta irregularidades sistemáticas

De acordo com relatório da Polícia Federal (PF) utilizado na decisão de Dino, uma funcionária da Câmara atuava com "pleno aval" da presidência para direcionar verbas conforme solicitações de deputados sem mandato, como o ex-deputado Eduardo Cunha. A investigação revelou que parlamentares federais eram falsamente apontados como "solicitantes" das indicações, conferindo aparência de legalidade a procedimentos irregulares.

A decisão judicial destaca que "das pesquisas realizadas, foram identificadas pelo menos 21 emendas parlamentares, num total de R$ 6,15 milhões, que foram empenhadas e pagas e que, nesse cenário, foram forjadamente documentadas para escamotear o verdadeiro solicitante da indicação." Esse padrão sugere uma estrutura organizada de desvio de recursos públicos.

Caso Valdemar e bloqueio de recursos

Na semana anterior, o ministro Dino determinou o bloqueio de R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de desvio de emendas parlamentares. A quantidade expressiva de recursos congelados demonstra a magnitude da investigação. O presidente da Câmara qualificou a decisão como "inaceitável", indicando discordância com as medidas judiciais.

Conforme a investigação, as indicações de Valdemar eram sistematicamente organizadas em planilhas e encaminhadas aos ministérios responsáveis pelos respectivos programas. Esse procedimento estruturado levanta questões sobre o conhecimento institucional dos processos de direcionamento de recursos.

Operação Transparência e origem das investigações

As medidas judiciais decorrem de uma representação da Polícia Federal que se desdobra da chamada "Operação Transparência", executada em dezembro do ano anterior. A funcionária da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, foi identificada como figura central nas investigações sobre o direcionamento de emendas.

A operação inicial resultou em aprofundamento das investigações, levando aos bloqueios de recursos e às medidas judiciais contra personalidades políticas. Esse desenvolvimento evidencia a seriedade com que o Judiciário trata o assunto.

Questões sobre legalidade das ações

Questionado especificamente sobre o relato da PF que aponta autorização da presidência para dirigir verbas conforme requerimentos de deputados sem mandato, Motta recusou-se a comentar. O presidente declarou que responderia em nome da Câmara após consulta às lideranças e órgãos técnicos da Casa: "Eu respondo pela Câmara dos Deputados, estou conversando com as lideranças, com os órgãos técnicos da Casa e no momento certo nós vamos nos posicionar".

Contexto das emendas parlamentares

A indicação de emendas parlamentares constitui uma prerrogativa exclusiva de deputados e senadores em exercício de mandato. Valdemar da Costa Neto e Eduardo Cunha, ambos ex-deputados, não possuem essa autoridade legal. Portanto, conforme destaca a Polícia Federal, a participação deles na destinação de recursos públicos caracteriza irregularidade administrativa e potencial crime.

Estudos divulgados identificam mais de R$ 1 bilhão em emendas de comissão sem identificação clara do autor original, indicando problema mais amplo na gestão dessas recursos na instituição legislativa.

A situação permanece em desenvolvimento, com o presidente da Câmara prometendo esclarecimentos futuros enquanto mantém sua defesa da instituição contra as alegações de irregularidades no processo de desvio de emendas parlamentares.

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