Pesquisa Quaest revela intenção de voto por posicionamento político

Levantamento revela comportamento do eleitorado conforme posicionamento político
A pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (14) oferece uma análise detalhada sobre a intenção de voto no primeiro turno das eleições presidenciais, segmentando o eleitorado brasileira conforme seu posicionamento político. Este tipo de análise permite compreender como diferentes grupos de votantes se comportam frente aos principais candidatos à Presidência da República.
O levantamento constitui a primeira iniciativa conjunta entre a Globo e o jornal O Globo na contratação de sondagens eleitorais. A coleta de dados foi realizada entre os dias 10 e 13 de agosto, abrangendo 2.004 entrevistados. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Quando considerados os segmentos por posicionamento político, a margem de erro varia entre 4 e 6 pontos percentuais. O número de registro oficial é BR-06773/2026.
Metodologia de classificação dos eleitores
A pesquisa Quaest utiliza uma classificação específica para organizar os eleitores conforme sua autodeclaração ideológica. A divisão estabelecida compreende cinco categorias principais: lulistas, esquerda não lulista, independentes, direita não bolsonarista e bolsonaristas. Esta segmentação permite identificar padrões distintos de preferência eleitoral e comportamento votante em cada grupo.
Comportamento entre lulistas
No segmento dos lulistas, os números evidenciam concentração significativa de votos. Lula (PT) obtém 91% da intenção de voto neste grupo, refletindo alinhamento ideológico consolidado. Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) cada um recebe 1% das preferências. Rui Costa Pimenta (PCO) também marca 1%. Os demais candidatos não conseguem percentual registrável. Neste segmento, 3% dos entrevistados declararam-se indecisos, enquanto 2% optariam por voto branco, nulo ou não compareceriam.
Padrão na esquerda não lulista
Entre eleitores de esquerda que não se identificam como lulistas, Lula ainda mantém apoio majoritário com 81% da preferência. Flávio Bolsonaro aparece com 2%, assim como o escritor Augusto Cury (Avante). Renan Santos (Missão) e Romeu Zema registram 1% cada um. Samara Martins (UP) também totaliza 1%. Este grupo apresenta maior indecisão em relação aos lulistas, atingindo 7%, enquanto 5% optariam por branco, nulo ou não votariam.
Fragmentação entre independentes
O segmento de eleitores independentes demonstra maior dispersão de votos. Lula aparece com 23%, enquanto Flávio Bolsonaro obtém 16% da preferência. Renan Santos (Missão) marca 8%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD) com 6%. Augusto Cury (Avante) recebe 4% e Romeu Zema (Novo) totaliza 3%. Os demais candidatos ficam abaixo de 1%. Neste grupo, 20% encontram-se indecisos e 18% escolheriam branco, nulo ou não compareceriam às urnas.
Concentração na direita não bolsonarista
Entre eleitores de direita que não se declaram bolsonaristas, Flávio Bolsonaro (PL) concentra 70% das intenções de voto. Ronaldo Caiado (PSD) obtém 6%, enquanto Lula e Renan Santos (Missão) cada um marca 5%. Romeu Zema (Novo) alcança 3% e Augusto Cury (Avante) recebe 2%. A indecisão neste segmento totaliza 6%, e 3% optariam por voto branco, nulo ou abstenção.
Fidelidade entre bolsonaristas
No segmento dos bolsonaristas, Flávio Bolsonaro domina com 90% da intenção de voto, demonstrando lealdade significativa ao candidato alinhado ao pensamento bolsonarista. Lula marca apenas 3%, Ronaldo Caiado (PSD) obtém 2% e Renan Santos (Missão) totaliza 1%. Este é o grupo mais polarizado, apresentando apenas 2% de indecisos e 2% para branco, nulo ou abstenção.
Contexto geral das eleições presidenciais
De acordo com a pesquisa Quaest sobre intenção de voto consolidada no primeiro turno, Lula apresenta 38% enquanto Flávio Bolsonaro marca 31%. No cenário de segundo turno, os números seriam 43% para Lula contra 40% para Flávio Bolsonaro, indicando possível aumento de polarização.
Aprovação governamental e rejeição dos candidatos
Os dados coletados também revelam aspectos sobre a avaliação do governo e rejeição dos principais candidatos. A aprovação do governo Lula totaliza 46%, enquanto 48% desaprovam. Quanto à rejeição pessoal dos candidatos, Flávio Bolsonaro apresenta taxa de 54%, enquanto Lula registra 52% de rejeição entre o eleitorado.
Cronograma de pesquisas até o primeiro turno
Até 3 de outubro, data que precede o primeiro turno eleitoral, o G1, a Globo, a GloboNews, o jornal O Globo e emissoras afiliadas divulgarão 130 pesquisas diferentes. Estes levantamentos, encomendados à Quaest e ao Datafolha, cobrem disputas para o Senado, para a Presidência da República e para os governos estaduais de todos os estados, além do Distrito Federal, permitindo acompanhamento contínuo do cenário eleitoral.
Análise: polarização e indefinição
Conforme análise do especialista Felipe Nunes, o cenário eleitoral caracteriza-se pela polarização acentuada, porém não totalmente decidida. A distribuição de votos por posicionamento político revela que enquanto lulistas e bolsonaristas mantêm alta concentração em seus respectivos candidatos preferidos, os segmentos de independentes e de direita não bolsonarista apresentam maior potencial de mobilidade eleitoral, podendo influenciar significativamente o resultado final das eleições presidenciais de 2026.
