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Poppy transforma Rock in Rio em arena metal com dualidade artística

Poppy transforma Rock in Rio em arena metal com dualidade artística
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Poppy no Rock in Rio: da delicadeza ao metal pesado

A cantora Poppy Rock in Rio apresentou-se no sábado (5) no Palco Sunset, surpreendendo o público com uma trajetória sonora que percorreu desde o pop eletrônico até o metal puro. Com um visual temático em tons de verde e azul, a artista iniciou seu show de forma delicada, interpretando "Have You Had Enough" e criando a primeira impressão de uma estrela pop tradicional. No entanto, conforme a apresentação evoluiu, Poppy revelou sua verdadeira identidade artística, transformando-se em uma força metal com vocalizações guturais e uma banda acompanhante equipada com máscaras bizarras e solos acelerados.

A dualidade que define Poppy

O maior trunfo de Poppy reside em sua capacidade de transitar entre extremos sonoros e visuais. Antes de consolidar sua carreira como cantora, a artista conquistou notoriedade no início dos anos 2010 através de vídeos enigmáticos onde interpretava uma "boneca androide", uma criação que amalgamava características infantis e perturbadoras simultaneamente. Em 2016, lançou-se formalmente como artista pop, explorando sonoridades eletrônicas e dançantes que conquistaram seguidores em todo o mundo.

Contudo, foi no universo do metal que Poppy descobriu sua autêntica expressão artística, ainda que ela mesma prefira se identificar como artista eclética. Essa multiplicidade de influências permite que suas apresentações funcionem como laboratórios onde os opostos coexistem harmoniosamente. A banda que a acompanha, com seus visuais agressivos e seus arranjos potentes, reforça essa dimensão mais pesada de sua proposta musical.

O show: contraste entre energia e ritmo

A estratégia compositiva de Poppy Rock in Rio segue um padrão recorrente: as faixas iniciam de forma contida e gradualmente ganham intensidade, com a percussão se tornando cada vez mais agressiva. Embora essa oscilação rítmica tenha entusiasmado o público nos primeiros momentos, com reações de espanto e engajamento, a repetição dessa dinâmica ao longo de todo o show resultou em certo arrefecimento da energia coletiva.

Em termos de interação com a plateia, Poppy manteve-se economia nas palavras. A artista cumpriu seu compromisso com o repertório, solicitou as tradicionais "rodinhas" de pit (movimento circular típico de shows de rock) e seguiu adiante, sem maiores diálogos ou contextualizações entre as músicas. Notavelmente, ao executar "V.A.N", uma das faixas que gerou maior engajamento da audiência, não mencionou que se tratava de uma colaboração com Bad Omens, banda que também se apresentaria posteriormente no festival.

Momentos inusitados e o público do festival

Apesar de certas limitações na condução do show, o público não deixou de se divertir. Além dos tradicionais gestos de protesto e sinalizadores coloridos característicos de apresentações de rock, ocorreu algo verdadeiramente inesperado: grupos de espectadores literalmente se sentaram no chão enlameado e começaram a realizar uma "remada viking", aquele movimento de remo coletivo popularizado pela torcida da seleção norueguesa de futebol.

Vale esclarecer que essa demonstração de entusiasmo não guardarelação alguma com qualquer vínculo entre Poppy e a Noruega ou sua seleção. Os fãs provavelmente teriam reproduzido o mesmo gesto para praticamente qualquer artista que subisse ao palco naquele horário. O episódio ilustra, porém, a disposição do público em participar ativamente das apresentações, transformando-se em coautor da experiência musical.

Encerramento potente e avaliação geral

O momentum do show intensificou-se genuinamente apenas no desfecho. Antes de encerrar com "New Way Out", Poppy solicitou ao público que formasse "a maior rodinha de todas". O pedido funcionou extraordinariamente bem, gerando uma onda de entusiasmo que sugeria o quanto teria sido diferente se demandas similares tivessem sido feitas ao longo de toda a apresentação.

Comparativamente aos demais shows daquele dia no festival, a apresentação de Poppy posicionou-se numa zona intermediária. Não alcançou a intensidade fervorosa que caracterizou a apresentação do Sepultura, nem caiu no desempenho abaixo do esperado de MGK. Poppy Rock in Rio cumpriu seu papel de preencher adequadamente seu horário na programação, conquistando potencialmente novos admiradores, mas deixando clara a sensação de que havia potencial significativo ainda a ser explorado. A artista demonstrou domínio de sua proposta artística, porém a execução deixou espaço considerável para aprimoramentos em futuros compromissos.

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