Professor negro de Cambridge morre aos 41 anos após acusações de plágio

Morte de professor renomado de Cambridge
O sociólogo britânico Jason Arday, que se destacou como o professor negro mais jovem da Universidade de Cambridge ao ingressar na instituição em 2023, foi encontrado morto nesta sexta-feira (14), em Londres, Reino Unido. O professor negro Cambridge tinha 41 anos e residia em Battersea, sul da capital britânica, onde foi descoberto desacordado à tarde.
A Polícia Metropolitana de Londres confirmou a morte de um homem de 41 anos no local, sem inicialmente divulgar a identidade, seguindo protocolos de comunicação. Posteriormente, os jornais britânicos "The Times", "The Telegraph", BBC e Sky News identificaram a vítima como Jason Arday. As autoridades informaram que "a morte está sendo tratada como inesperada neste momento, mas não há indícios de circunstâncias suspeitas".
Contexto das acusações que precederam sua morte
Arday havia renunciado ao cargo de professor de sociologia da educação apenas uma semana antes de sua morte, após enfrentar semanas de acusações públicas de plágio e questionamentos sobre informações que havia apresentado. Conforme reportagens da imprensa britânica, seu trabalho de doutorado, apresentado em 2015, continha trechos descritos como "idênticos ou quase idênticos" aos de pesquisas anteriores publicadas por outro acadêmico.
Além das questões sobre plágio, houve questionamentos sobre a afirmação do professor de ter arrecadado 5,5 milhões de libras, equivalentes a aproximadamente R$ 38,8 milhões, para instituições de caridade através de desafios esportivos. Entre os feitos que citava estavam correr 30 maratonas em 35 dias e percorrer cerca de 965 quilômetros em seis dias, participando do revezamento da chama olímpica em 2012.
Posição de Arday sobre as acusações
O professor negava ter cometido plágio deliberado, reconhecendo, contudo, alguns erros durante a elaboração de sua tese de doutorado. Em sua carta de renúncia, ele declarou que "as acusações incessantes, as especulações e os comentários públicos tiveram um impacto profundo sobre mim e sobre as pessoas que amo". Arday também enfatizou que sua saída de Cambridge não deveria "ser interpretada como uma aceitação das narrativas que surgiram a meu respeito".
Apoio de colegas acadêmicos e políticos
Mais de vinte acadêmicos e políticos que apoiavam Arday classificaram as acusações contra ele como uma "campanha difamatória" destinada a prejudicá-lo e outras pessoas negras que ocupam "posições de influência" nas instituições britânicas. Diversos membros da comunidade acadêmica expressaram preocupações de que as acusações representavam uma campanha organizada contra minorias em posições de destaque.
A família do professor, em comunicado divulgado pela editora Simon & Schuster do Reino Unido, afirmou estar "em choque por ter perdido esse pai, companheiro, irmão, tio e filho incrível". Os familiares acrescentaram que "a campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e sempre queria enxergar o melhor nas pessoas".
Trajetória pessoal e realização acadêmica
A chegada de Jason Arday à Universidade de Cambridge ganhou destaque significativo em 2023 não apenas por sua nomeação, mas também por sua notável trajetória pessoal. O professor relatava ter enfrentado dislexia, atrasos no desenvolvimento e autismo, condições que, conforme afirmava, o deixaram sem falar até os 11 anos e analfabeto até o final da adolescência. Apesar dessas barreiras, conseguiu completar sua formação acadêmica e alcançar posição de prestígio em uma das universidades mais renomadas do mundo.
Resposta institucional e investigação
Inicialmente, a Universidade de Cambridge defendeu o professor e informou que as acusações de plágio já haviam sido investigadas pela Liverpool John Moores University, instituição que concedeu seu título de doutor. No entanto, após receber novas informações, a universidade reverteu sua posição e anunciou abertura de investigação independente sobre a contratação e qualificações de Arday.
A vice-reitora de Cambridge, Deborah Prentice, expressou estar "profundamente trista" com a morte do professor. A universidade havia anunciado investigação às circunstâncias envolvendo sua nomeação, e Prentice também anunciou revisão dos processos de contratação institucional. Ela reafirmou que funcionários negros e de outras minorias étnicas de Cambridge são "altamente valorizados" pela produção acadêmica e contribuições à comunidade científica, caracterizando o caso como "uma exceção".
Reação da família e reflexões finais
Conforme relatado pela família, Arday havia sido alvo durante três anos de uma "campanha contínua de ataques" promovida por pessoas que "não deixariam pedra sobre pedra na tentativa de prejudicá-lo". O impacto psicológico dessas acusações aparentamente afetou profundamente o professor nos últimos meses de sua vida, levando a sua decisão de deixar a instituição que representava marco em sua carreira acadêmica e na história da universidade britânica.
