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Terremoto na Colômbia: 294 mortos e resgate crítico

Terremoto na Colômbia: 294 mortos e resgate crítico
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Terremoto na Colômbia: atualização do saldo de vítimas

O terremoto na Colômbia que devastou o país na segunda-feira (10) continua deixando um rastro de destruição incalculável. De acordo com a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), o número de vítimas fatais chegou a 294, sendo que ainda há 320 pessoas desaparecidas. O terremoto na Colômbia também registra um total de 3.935 feridos, 14.493 casas completamente destruídas e 81.506 imóveis danificados, afetando milhões de habitantes nas principais regiões do país.

A magnitude do tremor, de 7,4 na escala Richter, foi a mais intensa registrada na Colômbia nos últimos dez anos, com epicentro localizado na região de Chocó, no oeste do país, próximo à costa do Pacífico. As ondas sísmicas se estenderam por diversas regiões, causando estragos significativos em Valle del Cauca, Risaralda, Quindío e Caldas.

Operações de resgate em Cali e outras cidades

Na cidade de Cali, terceira maior metrópole colombiana com aproximadamente 2 milhões de habitantes, os trabalhos de resgate prosseguem em um complexo residencial composto por quatro torres de cinco andares cada uma. Segundo relatórios da GloboNews, os socorristas desconhecem a quantidade exata de pessoas que podem estar ainda soterradas nos escombros dessa estrutura.

Alberto Hernández, capitão dos bombeiros de Cali, revelou à Reuters que "temos apenas um local onde há sinais de vida. Nos outros pontos, infelizmente, estamos na fase de recuperação de corpos." O bombeiro informou que a retirada de corpos deve ser concluída até o domingo (16), quando as equipes começarão a utilizar equipamento pesado para a limpeza dos escombros.

A janela crítica de 72 horas, período estatisticamente mais provável para localizar sobreviventes vivos, encerrou-se na quinta-feira (13). Contudo, as equipes de resgate mantêm esperança reduzida e continuam os trabalhos mesmo com baixas probabilidades de sucesso. Nenhum sinal de vida foi detectado recentemente nos locais de busca.

Desafios humanitários nos abrigos provisórios

Milhares de colombianos desabrigados enfrentam condições precárias em acampamentos improvisados e abrigos temporários espalhados pelas zonas atingidas. Em Pereira, na renomada região cafeeira do país, centenas de pessoas passaram a noite em colchonetes e barracas dentro de um parque transformado em abrigo de emergência.

Os coordenadores dos abrigos relatam carências críticas de cobertores, barracas, artigos de higiene e alimentos. A população aguarda ansiosamente informações sobre a segurança estrutural dos edifícios afetados, temendo novos desabamentos. Em cidades como Medellín e Bogotá, milhares de cidadãos se mobilizaram para centros de arrecadação, doando alimentos, vestuário e medicamentos destinados às áreas mais gravemente afetadas.

Resposta governamental e críticas iniciais

O presidente Abelardo de la Espriella enfrenta seu primeiro grande teste à frente do país, tendo assumido o cargo apenas uma semana antes da tragédia. Sua gestão inicial das operações de resgate e reconstrução enfrentou críticas substanciais, particularmente pela recusa inicial em aceitar ofertas de ajuda de equipes internacionais de alguns países.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum denunciou que ofereceu equipes de resgate, mas o governo colombiano recusou a assistência. Posteriormente, o país aceitou apoio de Israel e dos Estados Unidos. De la Espriella justificou suas ações argumentando sobre questões de coordenação e capacidade operacional.

Negociações com os Estados Unidos

O presidente colombiano manteve conversa telefônica de dez minutos com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Durante o diálogo, Trump apresentou condolências pelo ocorrido. De la Espriella aproveitou a oportunidade para solicitar a suspensão temporária das tarifas comerciais sobre produtos colombianos, medida que buscaria aliviar os empresários colombianos durante a crise de reconstrução.

"Hoje, mais do que nunca, a aliança entre a Colômbia e os Estados Unidos é essencial para a reconstrução de nossa amada nação", afirmou De la Espriella em postagem na rede social X. O Departamento de Comércio estadunidense não forneceu resposta imediata à solicitação de comentário da Reuters sobre a proposta colombiana.

Dimensão geográfica e administrativa do desastre

O impacto do terremoto ultrapassou os limites de Cali, afetando uma vasta área geográfica. A destruição alcançou desde o porto de Buenaventura, no Pacífico, até à região cafeeira tradicional e as principais cidades ocidentais. Prédios residenciais desabaram, enquanto escolas, igrejas, hospitais e infraestrutura portuária sofreram danos graves.

Na quarta-feira (12), o governo declarou situação de desastre nacional com duração de 12 meses nos estados de Antioquia, Caldas, Cauca, Chocó, Quindío, Cundinamarca, Risaralda, Huila, Valle del Cauca, Tolima, Putumayo e Norte de Santander. Esta medida administrativa possibilita a mobilização de recursos extraordinários para resposta e recuperação.

Apoio internacional e perspectivas futuras

A comunidade internacional respondeu com ofertas de assistência. A chefe da União Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um pacote de dois milhões de euros, equivalente a aproximadamente R$ 11,9 milhões, destinado a apoiar as operações de resgate e assistência humanitária.

David Tamayo, chefe da Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres da Colômbia, reconheceu que "a probabilidade de encontrar sobreviventes está diminuindo, mas nossa missão é continuar procurando e encontrar todas as pessoas que foram dadas como desaparecidas." O Exército colombiano mantém intensa participação nas operações nas cidades mais atingidas, incluindo Cali, Pereira e Manizales, trabalhando contra o tempo na esperança de milagres.

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