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Tom Zé lança álbum ao vivo com show raro de 1996

Tom Zé lança álbum ao vivo com show raro de 1996
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Tom Zé marca 90 anos com álbum ao vivo histórico

O lendário músico baiano Tom Zé está prestes a completar nove décadas de vida em 11 de outubro, e para marcar essa trajetória artística impressionante, o álbum ao vivo Tom Zé será lançado pelo Selo Sesc em 9 de outubro. A gravação, que permaneceu arquivada por três décadas, corresponde a uma apresentação realizada em 1996 em uma das unidades paulistas da instituição, resgatando assim um momento singular da carreira do artista.

Nascido como Antônio José Santana Martins na pequena localidade de Irará, no interior da Bahia, em 1936, Tom Zé consolidou uma das mais inventivas trajetórias da música brasileira. Atualmente residindo em São Paulo há várias décadas, o compositor segue criativo, tendo criado recentemente composições inovadoras como "Coala coalá", e mantém uma agenda regular de apresentações ao público.

Relicário: série resgatando memória musical

O álbum ao vivo integra a série "Relicário" do Selo Sesc, uma iniciativa dedicada a desenterrar registros de apresentações marcantes realizadas nas instalações da instituição ao longo dos anos. Essa proposta curatorial busca preservar e compartilhar momentos importantes da história musical brasileira que, de outra forma, permaneceriam esquecidos nos arquivos.

A gravação de 1996, realizada há exatamente três décadas, captura Tom Zé em seu elemento, explorando um repertório que abrange desde suas composições mais consagradas até interpretações de clássicos da música popular brasileira. A escolha das músicas reflete a versatilidade do artista e sua capacidade de dialogar com diferentes períodos e estilos musicais.

Tracklist: 16 faixas que contam a história de Tom Zé

O disco "Relicário – Tom Zé – Ao vivo no Sesc 1996" apresenta dezesseis composições que formam um percurso narrativo pela obra e pela sensibilidade interpretativa do baiano. O setlist começa com abordagens autorais que marcaram época, passando por colaborações importantes e finalizando com arranjos de canções que dialogam com a tradição brasileira.

Entre as faixas destacam-se composições de sua própria lavra como "2001", criada em parceria com Rita Lee em 1968, que apresenta a experimentação sonora característica de Tom Zé já naquele período. "Augusta, Angélica e Consolação", lançada em 1973, evidencia a conexão do artista com os espaços urbanos e suas particularidades. A presença de "Cademar", resultado da colaboração com o poeta Augusto de Campos também em 1973, demonstra como Tom Zé sempre buscou estabelecer diálogos com outras formas de expressão artística.

Outras peças relevantes no repertório incluem "Hein?", de 1976, criada com Vicente Barreto, "Menina Jesus" de 1978, e "Nave Maria" de 1984, todas exemplificando a evolução sonora e lírica do compositor ao longo das décadas. O disco conclui com "Trem das onze", a imortal composição de Adoniran Barbosa de 1964, fechando o show de forma emblemática ao demonstrar como Tom Zé respeita e reinterpreta a tradição da música paulista.

Folia e sofisticação: a marca registrada de Tom Zé

Uma das características marcantes deste álbum ao vivo Tom Zé é a capacidade do artista de transitar entre diferentes moods e atmosferas musicais dentro de uma mesma apresentação. A gravação de 1996 exemplifica isso ao incluir a marchinha "Taí (Pra você gostar de mim)", composta por Joubert de Carvalho em 1930, que foi o primeiro grande sucesso da lendária Carmen Miranda, falecida em 1955.

Essa escolha revela como Tom Zé utiliza a música carnavalesca e a tradição das marchinhas – historicamente ligadas à irreverência e ao deboche brasileiro – como vehículo para explorar temas mais profundos. A combinação entre alegria folgazona e melancolia sofisticada sempre caracterizou sua abordagem musical, tornando suas apresentações memoráveis e inesperadas.

Sigilo em torno de novo projeto musical

Além do lançamento do álbum ao vivo pelo Selo Sesc, Tom Zé cultua um novo projeto musical ainda envolto em mistério. O compositor, reconhecido por sua capacidade de inovação e reinvenção, mantém os detalhes sob sigilo, alimentando curiosidade entre fãs e críticos musicais. Essa postura de secretismo é característica do artista, que sempre preferiu deixar suas obras falarem por si mesmas quando do lançamento.

Aos 90 anos, portanto, Tom Zé reafirma sua relevância no cenário musical nacional não apenas através de registros do passado, mas também sinalizando que continua criativo e engajado em processos criativos. A celebração de suas nove décadas de vida coincide assim com a oportunidade para novo público e para admiradores antigos de revisitar a significância de sua obra através dessa rara gravação de 1996 resgatada pelo Selo Sesc.

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