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Trilionário por dois meses: a reversão da SpaceX que custou US$ 146,5 bilhões a Musk

Trilionário por dois meses: a reversão da SpaceX que custou US$ 146,5 bilhões a Musk
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Do Trilionário à Perda Bilionária em Apenas Dois Meses

A jornada de Elon Musk como primeiro trilionário da história foi surpreendentemente breve. O empresário atingiu esse patamar inédito graças, principalmente, à valorização expressiva da SpaceX no mercado. No entanto, a marca foi evanescente: em apenas dois meses, sua fortuna sofreu uma contração de US$ 146,5 bilhões (R$ 764,65 bilhões), refletindo a deterioração no valor da companhia aeroespacial.

Embora seja comum dizer que foguetes não conseguem fazer marcha à ré, a SpaceX provou ser uma exceção — pelo menos em termos de desempenho de mercado. As ações da empresa registraram uma queda de 31% desde o pico máximo de US$ 201,8, alcançado em junho deste ano. Como Musk detém 42% das ações da SpaceX, qualquer declínio significativo no valor da companhia afeta proporcionalmente sua participação e, consequentemente, sua fortuna total.

A Estrutura Diversificada e o Crescimento Assimétrico da SpaceX

O primeiro balanço divulgado desde a abertura de capital (IPO) da empresa revela uma companhia em processo de expansão vigorosa, porém com segmentos de negócio que apresentam características distintas entre si. A receita quase dobrou em um período de doze meses, mas essa expansão exigiu investimentos massivos: foram direcionados US$ 18,37 bilhões (R$ 95,9 bilhões) em apenas três meses, mais de seis vezes o montante registrado no mesmo período do ano anterior.

As três áreas principais da corporação — conectividade via satélite, inteligência artificial e lançamentos espaciais — evoluem em velocidades muito diferentes. O serviço de internet via satélite já alcançou lucratividade, enquanto os segmentos de inteligência artificial e operações espaciais ainda priorizam a expansão e os investimentos em infraestrutura.

Andrew Menzies, diretor de operações da Openbook Analytics, considera essa disparidade central para compreender a situação financeira da SpaceX. De acordo com análise apresentada pelo especialista, em 2025 o segmento de conectividade gerou US$ 4,42 bilhões (R$ 23,07 bilhões) em lucro operacional. Em contraste, a divisão de inteligência artificial acumulou prejuízo operacional de US$ 6,35 bilhões (R$ 33,14 bilhões).

Perspectivas do Mercado e Apostas de Longo Prazo

Para Nicolas Owens, analista de ações da Morningstar, os resultados evidenciam uma empresa que cresce enquanto realiza apostas estratégicas no futuro. Segundo sua avaliação, a maior gama de resultados potenciais do valor futuro da SpaceX reside exatamente em seus empreendimentos de inteligência artificial. O mercado, porém, enfrenta um dilema fundamental: decidir quanto está disposto a pagar hoje por negócios que ainda precisam comprovar seu potencial nos próximos anos.

No segundo trimestre, a maior parcela dos investimentos foi canalizada para inteligência artificial. Entre as iniciativas destacam-se a ampliação da infraestrutura de computação em nuvem, o desenvolvimento de projetos como o Colossus II, e a integração de chips da Nvidia em satélites dedicados à inteligência artificial. Além disso, a SpaceX fechou um acordo de US$ 60 bilhões (R$ 313,16 bilhões) para adquirir a Cursor, ampliando consideravelmente sua oferta de ferramentas de inteligência artificial para o segmento empresarial.

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