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Incêndios no Canadá ameaçam final Copa e provocam retaliação tarifária

Incêndios no Canadá ameaçam final Copa e provocam retaliação tarifária
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/18/incendios-canada-ameaca-tarifaria-trump-final-copa.ghtml

Incêndios no Canadá intensificam tensão diplomática e ambiental

Os incêndios no Canadá ultrapassaram fronteiras e geraram uma crise ambiental que atinge diretamente os Estados Unidos, provocando reações políticas de alto nível. O presidente norte-americano Donald Trump ameaçou aumentar significativamente as tarifas sobre produtos canadenses como forma de compensação pelos danos causados pela fumaça dos incêndios florestais que alcançaram estados vizinhos, especialmente Nova Jersey e Nova York.

A situação é particularmente crítica porque a fumaça dos incêndios no Canadá chegou até o MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, justamente na véspera da final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina, programada para domingo. Os organizadores do evento monitoram atentamente a evolução da qualidade do ar, enquanto autoridades avaliam possíveis impactos na realização da partida.

Dimensão da crise ambiental nos EUA

A escala dos incêndios no Canadá é alarmante: 937 focos permaneciam ativos no sábado, com a maioria fora de controle segundo dados do Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais. As densas colunas de fumaça originadas do Canadá e do norte de Minnesota provocaram a emissão de alertas de qualidade do ar prejudicial em diversas regiões americanas.

Detroit consolidou-se como a cidade com o ar mais poluído do mundo conforme monitoramento do IQAir. Washington e Chicago ocupam as posições seguintes no ranking global, forçando autoridades a recomendar à população que evite atividades ao ar livre. Na região metropolitana de Nova Jersey e Nova York, embora tenha havido melhora desde a quinta-feira quando Manhattan quase ficou invisível pela névoa intensa, os níveis de qualidade do ar ainda representam riscos potenciais para grupos populacionais sensíveis.

Postura agressiva do governo Trump

Trump utilizou sua rede social Truth Social para criticar duramente a gestão ambiental canadense. O presidente americano caracterizou a situação como "Negligência Deliberada" e afirmou estar custos de bilhões de dólares aos Estados Unidos. Ele acusou o Canadá de não cuidar adequadamente de suas florestas e de negligenciar tarefas básicas de manejo florestal e remoção de resíduos.

"O custo dessa poluição precisa ser incluído nas TARIFAS que o Canadá já paga atualmente", escreveu o presidente. Trump também manifestou intenção de contatar o primeiro-ministro canadense Mark Carney para "descobrir o que eles vão fazer" em relação à fumaça que afeta o território americano.

Resposta do governo canadense

Diante das críticas e ameaças tarifárias, o Canadá posicionou-se defensivamente. A ministra canadense da Gestão de Emergências, Eleanor Olszewski, destacou que seu país mantém "contato constante" com os Estados Unidos e salientou a "longa trajetória de cooperação no combate aos incêndios florestais".

Olszewski ressaltou que o Canadá investiu US$ 12 bilhões desde 2020 em sustentabilidade florestal e prevenção de incêndios, buscando demonstrar que o país trabalha ativamente no problema. Esta resposta reflete a tentativa canadense de contextualizar os esforços de longo prazo em gestão ambiental antes das ameaças tarifárias de Trump.

Impactos na saúde pública

Os efeitos da fumaça dos incêndios no Canadá sobre a saúde da população americana são significativos. Muitos residentes em cidades do Meio-Oeste e Nordeste começaram a usar máscaras ao ar livre como proteção. Em Nova York, bibliotecas e estações ferroviárias distribuíram máscaras gratuitamente à população.

Chris Carlsten, pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica especializado em efeitos da fumaça de incêndios na saúde, explicou que as partículas finas presentes na fumaça afetam principalmente os pulmões. Ele alertou que as nuvens de fumaça podem conter resíduos perigosos como tinta, plástico e metal, além de partículas da queima de madeira e vegetação.

Preocupações com a final da Copa do Mundo

A final entre Espanha e Argentina no MetLife Stadium enfrenta incertezas climáticas. Andrew Giuliani, diretor-executivo do grupo de trabalho da Casa Branca para a Copa do Mundo, afirmou que os organizadores "acompanham de perto a situação" e monitoram desenvolvimentos.

Meteorologistas do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos indicam que ventos sobre a região dos Grandes Lagos podem deslocar mais fumaça para o Nordeste. Joel Dreessen, meteorologista em Maryland, alertou que alguns modelos indicam possibilidade de parte da fumaça se deslocar para o sul antes do domingo, mantendo incertezas sobre as condições no estádio.

Cenário crítico no Alto Meio-Oeste

A região formada pelos estados de Michigan, Minnesota e Wisconsin, conhecida como Alto Meio-Oeste e mais próxima dos focos de incêndio, enfrenta condições especialmente severas. Os índices de qualidade do ar foram classificados como "perigosos", superando níveis que causam preocupação significativa entre especialistas em saúde pública.

Até o momento, não há registro oficial de vítimas fatais relacionadas diretamente à fumaça dos incêndios no Canadá, mas o impacto ambiental continua se expandindo conforme os ventos transportam partículas poluentes através das fronteiras internacionais.

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