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Justiça do Paraguai ordena prisão preventiva de ex-presidente Peña

Justiça do Paraguai ordena prisão preventiva de ex-presidente Peña
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Tribunal do Paraguai ordena detenção preventiva de ex-mandatário

A Justiça do Paraguai determinou, no sábado 7 de novembro, a prisão preventiva de Santiago Peña, ex-presidente da nação que foi destituído do cargo na sexta-feira anterior mediante votação unânime no processo de impeachment. A decisão judicial, proferida pelo juiz Humberto Otazú, atendeu solicitação formal do Ministério Público e marca um desdobramento significativo na crise política que envolveu o chefe de Estado desde o mês anterior.

O ex-mandatário enfrenta investigações por lesão de confiança, na qualidade de instigador, e administração em benefício próprio, como autor principal. Desde a noite da sexta-feira, Peña permanecia em prisão temporária, situação que agora se converte em preventiva até o desfecho das investigações judiciais.

Investigação relacionada ao escândalo financeiro

As acusações contra o ex-chefe de governo origináram-se das investigações sobre o caso Ueno Bank, instituição financeira que enfrentou colapso deixando milhões de clientes impossibilitados de acessar suas contas bancárias. Peña é apontado como um dos sócios do grupo controlador do banco digital, fato que o coloca no centro das apurações sobre as irregularidades operacionais e contábeis.

O Banco Central paraguaio interveio na instituição após identificar problemas graves em operações de concessão de crédito e inconsistências na contabilização de ativos financeiros. Os reguladores constataram ainda que a entidade não dispunha de capital adequado para prosseguir suas operações de forma segura.

Sequência de eventos que precipitaram a crise

A trajetória que conduziu à destituição de Santiago Peña iniciou-se com a quebra do banco Ueno, provocando reações públicas e protestos nas ruas de Assunção. O cenário de instabilidade financeira intensificou pressões políticas sobre o governo, direcionando atenção para vínculos empresariais entre o presidente e os dirigentes da instituição afetada.

Na quinta-feira, 5 de novembro, Peña anunciou voluntariamente sua renúncia ao cargo, justificando a decisão como medida necessária para preservar a estabilidade institucional e os valores democráticos. O comunicado presidencial sinalizava que o chefe de governo buscava encerrar o impasse político. Contudo, os membros do Senado decidiram prosseguir com o julgamento de impeachment, impedindo que a saída voluntária interrompesse o processo.

Participação empresarial no banco questionado

Registros públicos apontam que Santiago Peña manteve participação acionária na holding ligada ao Ueno Bank até março de 2025, período anterior ao colapso da instituição. Essa permanência de vínculos empresariais, mesmo após assumir a Presidência em 2023, levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e operações irregulares beneficiando interesses privados.

O ex-presidente permanecerá detido no Regimento de Escolta Presidencial durante o prosseguimento das investigações, conforme ordenado pelo magistrado responsável. O juiz Otazú justificou essa medida de restrição considerando o acesso que Peña possuía a informações confidenciais relacionadas ao sistema financeiro nacional e questões ligadas ao crime organizado durante sua administração.

Procedimentos judiciais em andamento

Durante a audiência realizada no sábado, 7 de novembro, na sede da Procuradoria-Geral do Ministério Público em Assunção, o ex-presidente optou por exercer seu direito ao silêncio, não realizando depoimento público. O Ministério Público também formulou solicitação para bloqueio dos bens de Peña como medida preventiva, requerimento que continua sob análise da Justiça, segundo informações do juiz Otazú.

Investigações criminais paralelas foram abertas envolvendo não apenas o ex-presidente, mas também o ex-vice-presidente Pedro Alliana e autoridades do Banco Central do Paraguai, ampliando o escopo da apuração sobre irregularidades no setor financeiro.

Sucessão presidencial e impactos institucionais

Com a destituição de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência para completar o mandato remanescente, previsto para término em agosto de 2028. A transferência de poder ocorreu em contexto de turbulência política e desconfiança nas instituições financeiras, requerendo ações imediatas do novo governo para restaurar a credibilidade e a estabilidade econômica.

A crise originada pelo colapso do Ueno Bank revelou fragilidades nos mecanismos de supervisão financeira e evidenciou a necessidade de reformas regulatórias para prevenir operações irregulares futuras no setor bancário paraguaio. As investigações em curso deverão esclarecer as responsabilidades individuais e corporativas envolvidas no escândalo que abalou a confiança pública nas instituições do país.

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