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Tarcísio nega consultas a partidos para indicações e reafirma distância da política

Tarcísio nega consultas a partidos para indicações e reafirma distância da política
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Governador defende gestão técnica sem influência política

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reafirmou nesta sexta-feira (18) que sua administração estadual prioriza indicações políticas baseadas em critérios técnicos, sem necessidade de consultas aos partidos aliados. Durante evento realizado na Vila Leopoldina, na Zona Oeste da capital paulista, o chefe do Executivo estadual explicou que a escolha por manter um secretariado com profissionais técnicos é uma marca distintiva de sua gestão desde o início.

A posição sobre indicações políticas foi apresentada após questionamento de jornalistas acerca de sua relação com Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Tarcísio destacou que a ausência de indicações políticas tradicionais foi uma decisão deliberada e consciente, mesmo tendo gerado críticas de setores políticos que esperavam práticas convencionais.

Distância da política tradicional como marca da administração

Ao comentar sobre as indicações políticas, o governador enfatizou que mantém propositalmente uma certa distância da política convencional. De acordo com Tarcísio, essa abordagem diferenciada gerou críticas de políticos acostumados com modelos tradicionais de nomeação. "Eu fui bastante criticado por isso até, por manter em algum momento, em alguma medida, uma certa distância da política, ou não fazer as coisas como a política estava acostumada", declarou.

O chefe do Executivo paulista citou como exemplo de aplicação de critérios técnicos a nova legislação das agências reguladoras do estado. Segundo sua avaliação, essa medida demonstra o compromisso com a profissionalização dos cargos de indicação. "Eu não faço consulta a partido para colocar pessoas em determinadas posições", reafirmou o governador durante o evento.

Relação institucional com Milton Leite

Questionado sobre sua relação com Milton Leite, Tarcísio reiterou que o contato com o ex-presidente da Câmara era estritamente institucional e focado em questões de infraestrutura e saneamento. O governador salientou que os encontros com Leite tratavam especificamente de problemas infraestruturais da região Sul da capital paulista.

Entre os temas discutidos, Tarcísio listou obras e serviços relacionados à Represa de Guarapiranga, à Rodovia Régis Bittencourt, à Estrada do M'Boi Mirim, além de projetos de saneamento básico e a extensão da malha ferroviária até Parelheiros. O governador frisou que Milton Leite não ocupava qualquer posição formal no governo do estado, caracterizando os encontros como meramente operacionais.

Posicionamento sobre investigação de Milton Leite

Quanto à investigação que resultou na prisão temporária de Milton Leite no âmbito da Operação Vectura Corrupta, Tarcísio adotou tom de imparcialidade institucional. O governador afirmou que não deve haver distinção entre aliados e adversários políticos quando se trata da atuação de instituições de segurança pública e Ministério Público.

"Temos aqui uma polícia de Estado, mas temos um Ministério Público de Estado. A gente não tem aqui, não existe aliado, adversário, não existe partido A, partido B, pessoa A, pessoa B", declarou. Segundo sua avaliação, fatos e indícios que mereçam investigação devem ser apurados independentemente de afiliações políticas ou relacionamentos pessoais.

Garantias legais e direito de defesa

O governador ressaltou a importância de respeitar o contraditório e a ampla defesa nos processos investigativos. De acordo com Tarcísio, quando há indícios e fatos que justifiquem investigação, as pessoas envolvidas devem apresentar esclarecimentos mantendo-se as garantias processuais básicas.

"A partir do momento que há indícios, há fatos que precisam, que merecem ser investigados e pessoas têm que prestar seus esclarecimentos, respeitadas as garantias funcionais do contraditório e amplo direito de defesa, essas pessoas vão ter que responder por aquilo, pelos atos que fizeram", afirmou o governador, adotando postura que busca equilibrar a investigação com os direitos constitucionais dos investigados.

Contexto da investigação contra Milton Leite

Milton Leite se entregou à polícia na tarde de sexta-feira (18), em delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, após ser alvo de mandado de prisão temporária expedido pela Operação Vectura Corrupta, realizada na quinta-feira anterior. Segundo investigação da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o ex-vereador é suspeito de envolvimento com atividades do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital.

A investigação aponta suspeita de participação direta de Leite na operação de empresas supostamente controladas pela facção criminosa, além de indicações de que seria o "dono de fato" da empresa Transwolff. A defesa da empresa negou qualquer participação societária, gestão ou interferência de Milton Leite nas operações da companhia. O ex-presidente da Câmara apresentou-se acompanhado de advogado, informando que estava viajando e retornaria para comprovar sua inocência.

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