Tereza Cristina quer dialogar com Bolsonaro sobre presidência do Senado

Senadora busca encontro com ex-presidente para debater disputa interna
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) manifestou, nesta quinta-feira, sua intenção de manter conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro acerca da presidência do Senado. O encontro ocorreria durante uma eventual visita ao ex-mandatário, que atualmente cumpre prisão domiciliar em Brasília. A declaração foi realizada em um evento de gala da Câmara de Comércio França-Brasil, em São Paulo, oportunidade na qual a parlamentar recebeu o Prêmio Personalidade do Ano 2026.
Quando questionada sobre o teor da conversa planejada com Bolsonaro, Tereza Cristina ressaltou que já havia solicitado previamente esse encontro e que utilizaria a ocasião para apresentar sua perspectiva pessoal relativamente à presidência do Senado e aos desafios que permeiam a eleição para essa posição. A senadora reforçou sua amizade com o ex-presidente e sua trajetória como ministra em seu governo.
Estratégia e possível acordo com Rogério Marinho
A senadora enfatizou que sua candidatura à presidência do Senado integra uma estratégia conjunta com o senador Rogério Marinho (PL-RN), ambos buscando fortalecer a posição da oposição nessa eleição. Ao ser indagada se renunciaria à sua candidatura caso o ex-presidente solicitasse apoio ao senador Marinho, Tereza Cristina evitou comprometimento definitivo, afirmando desconhecer tal possibilidade.
A parlamentar explicou que tanto ela quanto Marinho mantêm diálogos desde o início do processo eleitoral e compartilham uma perspectiva comum sobre as prioridades do campo conservador. Segundo Tereza, a estratégia não envolve confronto direto entre os dois candidatos, mas sim uma definição posterior, próxima à votação, de qual dos dois representaria a oposição.
"Um de nós dois, lá na frente, nós temos que sentar com maturidade e responsabilidade que nós temos pelas pautas em que acreditamos, para não deixar o Senado apequenado", declarou a senadora, reforçando seu compromisso com as questões que prioriza.
Contexto da disputa pela liderança do Senado
A eleição para presidência do Senado do próximo biênio, com início previsto para fevereiro de 2027, configura-se como um processo relevante no cenário político nacional. Tereza Cristina concorre contra o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca sua reeleição e conta com respaldo do governo federal.
Rogério Marinho, designado líder da oposição no Senado, teve sua candidatura oficializada pelo Partido Liberal na quarta-feira anterior. Marinho procura consolidar o apoio dos partidos de direita para contrapor-se a Alcolumbre, que dispõe do suporte da administração Lula.
Os dois candidatos da oposição mantêm negociações visando unificar suas candidaturas, porém ainda não definiram qual dos dois se retiraria do processo. Tereza Cristina prossegue em articulações com parlamentares de diferentes legendas, indicando que a decisão será estabelecida em momento posterior, conforme se aproxime da votação.
Data e procedimentos da eleição
A votação para presidência do Senado está agendada para o primeiro de fevereiro de 2027, quando os oitenta e um senadores escolherão, mediante sufrágio secreto, o presidente da instituição. Para que um candidato alcance a vitória, faz-se necessário obter no mínimo quarenta e um votos, configurando maioria simples dos votantes.
Autorização para visita a Bolsonaro
A equipe jurídica do ex-presidente Bolsonaro solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorização para que o ex-mandatário receba Tereza Cristina e Rogério Marinho em sua residência, onde se encontra sob regime de prisão domiciliar. O requerimento foi formalizado em contexto no qual ambos os senadores intensificam articulações buscando angariar apoios da ala direitista para a disputa interna do Senado Federal.
Esse encontro assume relevância estratégica considerando a influência que Bolsonaro mantém junto aos setores conservadores e sua capacidade de orientar apoios políticos. A possibilidade de Tereza Cristina dialogar com o ex-presidente sobre suas prioridades e avaliação da situação reflete a dinâmica complexa que permeia a presidência do Senado, onde coalizões e alinhamentos definem os rumos institucionais.
