Claude: a IA que conquistou especialistas com modelo mais perigoso

Por que o Claude se tornou destaque no mercado de inteligência artificial
O Claude IA emergiu como uma das ferramentas mais comentadas atualmente, transformando a Anthropic em protagonista indiscutível da inteligência artificial moderna. Enquanto gigantes como ChatGPT, Gemini e Copilot dominavam as conversas públicas, um novo ator capturou a atenção de investidores, empresas e pesquisadores: o Claude da Anthropic, que adotou uma estratégia diferente ao focar inicialmente no mercado corporativo em vez do público geral.
A mudança de panorama no setor de IA tem razões sólidas. Segundo especialistas consultados, a Anthropic conquistou a liderança ao desenvolver o que muitos consideram ser a inteligência artificial mais potente — e simultaneamente mais perigosa — da atualidade. Esse posicionamento ampliou significativamente o interesse tanto de investidores quanto do público em geral.
A Anthropic e seus fundadores
A Anthropic foi estabelecida em 2021 por Dario Amodei, atualmente CEO da companhia, e demais executivos que deixaram a OpenAI defendendo uma abordagem mais prudente no desenvolvimento de sistemas de IA. O Claude chegou ao mercado em março de 2023, aproximadamente cinco meses após o lançamento do ChatGPT.
Apesar de entrar na competição posteriormente e possuir menor reconhecimento do grande público, o chatbot Claude impulsionou uma transformação impressionante da Anthropic. Atualmente, a empresa é a startup de inteligência artificial mais valiosa globalmente, com avaliação aproximada de US$ 965 bilhões, superando a OpenAI em valor de mercado. Em junho, a Anthropic submeteu confidencialmente um pedido de abertura de capital nos EUA, com valuation próximo a US$ 1 trilhão.
A expansão do Claude: ferramentas e funcionalidades revolucionárias
O lançamento global do Claude ocorreu em 2023, embora tenha chegado ao Brasil apenas em agosto de 2024. Em 2025, a Anthropic apresentou o Claude Skills, permitindo que a IA aprendesse a executar tarefas específicas. O grande ponto de virada, porém, veio com o Claude Code em 2026, uma ferramenta de programação capaz de criar sites e realizar ações diretamente no computador do usuário.
Segundo Diogo Cortiz, especialista em IA e professor da PUC-SP, o Claude Code representou um marco fundamental para a Anthropic. "Ele permitiu que a IA realizasse tarefas de longa duração, que podem levar horas ou até dias, por meio de subagentes, robôs que executam etapas do trabalho de forma autônoma", afirma o especialista.
Adoção entre profissionais criativos e empresas
O Claude ganhou popularidade especial entre profissionais de marketing e criação. Izabela Anholett, especialista em IA e fundadora da Nura AI, explica que "virou o queridinho desses profissionais para a produção de textos criativos, roteiros para redes sociais e peças de campanha, sendo considerado superior ao ChatGPT nesse tipo de tarefa".
Um diferencial importante é a capacidade de criar automações e integrar serviços como e-mail sem exigir conhecimentos de programação. Embora outras IAs realizem funções semelhantes, o Claude consegue automatizar essas funcionalidades de forma mais rápida e eficiente. Contudo, o melhor aproveitamento do potencial do Claude está disponível em planos pagos. No Brasil, o plano Pro, mais acessível, custa R$ 110 mensais com limitações de uso.
Posição no mercado global de inteligência artificial
Apesar do avanço, o ChatGPT mantém ampla liderança em número de usuários. Segundo dados da Sensor Tower divulgados em 2026, o ChatGPT registrava cerca de 1,1 bilhão de usuários ativos mensais até maio. O Gemini aparecia em segundo com 662 milhões, enquanto o Claude ocupava terceira posição com 224 milhões.
Contudo, a participação de mercado apresenta mudança significativa: o ChatGPT caiu para abaixo dos 50% pela primeira vez, concentrando 46% dos usuários em maio de 2026, enquanto Gemini registrava 28% e Claude 10%. A Sensor Tower destacou que o crescimento do Claude foi particularmente forte nos EUA, onde recursos de programação e pesquisa avançada atraíram mais usuários.
Diogo Cortiz observa que o Claude começou a ganhar espaço significativo entre consumidores comuns apenas nos últimos seis meses, com usuários migrando do ChatGPT em busca de uma IA capaz de executar tarefas práticas como organizar arquivos e responder e-mails automaticamente.
O Claude Mythos: o modelo de IA mais perigoso do mundo
A potência crescente dos modelos Claude também amplifica os riscos associados à tecnologia. Em 2026, a Anthropic apresentou o Claude Mythos, considerado por especialistas o modelo de IA mais perigoso atualmente em desenvolvimento.
O Mythos é caracterizado como extremamente rápido e capaz de identificar brechas de segurança que escapariam à percepção humana. Izabela Anholett alerta que "se o Mythos for parar em mãos erradas, empresas podem ser paralisadas da noite para o dia" devido à sua capacidade de explorar vulnerabilidades digitais.
A Anthropic confirmou que a versão preview do Mythos identificou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo falhas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web. Por seu elevado poder e riscos à segurança nacional, não foi liberado ao público geral. Em vez disso, a Anthropic criou um consórcio restrito com Amazon, Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e Mozilla.
Descobertas de segurança do Mythos
A eficácia do modelo foi comprovada em relatório da Mozilla. Ao utilizar o Mythos Preview no navegador Firefox, a organização identificou vulnerabilidades desconhecidas, resultando em 271 correções na versão 150 do navegador lançada em abril de 2026. Esse caso demonstra que a habilidade do Mythos de encontrar brechas de segurança é genuína, explicando por que seu acesso permanece altamente restrito.
O episódio do Fable 5 e questões de segurança nacional
Em junho de 2026, a Anthropic apresentou o Fable 5, descrito como o modelo de IA mais potente oferecido ao público geral. Integrante da família Mythos, o Fable 5 alcançava desempenho excepcional em engenharia de software, análise de dados, pesquisa científica e visão computacional.
Apesar da disponibilidade pública, a Anthropic impôs restrições em temas sensíveis: solicitações sobre cibersegurança, biologia, química ou técnicas de extração de dados de modelos de IA seriam automaticamente transferidas para o Claude Opus 4.8, versão menos potente.
No dia 12 de junho, a Anthropic anunciou a suspensão global do Fable 5 após determinação do governo americano baseada em questões de segurança nacional, impedindo acesso a cidadãos estrangeiros e funcionários não-americanos da própria Anthropic. Reportagem do Wall Street Journal revelou que a Amazon havia alertado a Casa Branca sobre possibilidade de o Fable 5 auxiliar em ciberataques, motivando a suspensão.
A resposta da Anthropic e liberação posterior
A Anthropic contestou a decisão, afirmando: "Instituímos salvaguardas fortes que reduzem muito a probabilidade de Fable ser mal utilizado para tarefas relacionadas à cibersegurança". A empresa destacou que as proteções eram tão robustas que muitos usuários reclamavam serem excessivamente amplas.
O Fable 5 foi liberado globalmente novamente em 1º de julho, após notificação de que o Departamento de Comércio dos EUA suspendeu controles de exportação sobre o sistema. Esse episódio reflete as tensões contínuas entre inovação tecnológica e segurança nacional.
Conflito com administração Trump e posicionamento ético
A Anthropic também enfrentou embates com a administração Trump. Em março de 2026, o Departamento de Guerra americano classificou a Anthropic como risco à cadeia de fornecimento após a empresa impedir que o órgão utilizasse sua tecnologia para fins militares. Trump respondeu determinando que agências federais interrompessem o uso de programas de IA da Anthropic, afirmando que o país não permitiria que a empresa ditasse políticas militares.
O presidente declarou: "O egoísmo deles está colocando vidas americanas em risco, nossas tropas em perigo e nossa segurança nacional sob ameaça". Esse conflito evidencia o dilema entre desenvolvimento tecnológico responsável e demandas governamentais de aplicações militares.
Perspectivas futuras e conscientização sobre custos
Diogo Cortiz observa uma mudança no cenário de IA: "Saímos daquela grande euforia das IAs para uma fase de maior racionalidade em relação aos custos. Muitas pessoas e empresas estão buscando um uso mais efetivo e consciente da tecnologia porque as contas estão ficando muito altas".
Esse contexto reforça por que o Claude, apesar de seus recursos avançados, ainda exige pagamento para acesso completo, refletindo um mercado de IA em maturação onde eficácia e sustentabilidade financeira ocupam posição central nas decisões corporativas.
